Cabo será competitivo com fibra na banda larga, diz Commscope

Hugo Ramos, CTO para a América Latina da Commscope

O crescimento das redes de fibra não deve ser, pelo menos do ponto de vista tecnológico, um problema para a Claro na disputa pelo mercado de banda larga. Segundo Hugo Ramos, CTO para a América Latina da Commscope, uma das principais empresas fornecedoras de equipamentos de banda larga fixa, as redes de cabo que utilizam a tecnologia DOCSIS (como é o caso da Claro na maior parte de sua rede) têm não só uma tecnologia bastante competitiva com o DOCSIS 3.0 como, a partir desse ano, devem dar o salto para o DOCSIS 3.1 de maneira mais intensa.

O DOCSIS 3.1, explica Ramos, é uma evolução muito significativa em termo de capacidade de serviços, e não fica atrás das novas tecnologias de acesso por fibra óptica, como XG-PON e XGS-PON. "Em termos de oferta, as tecnologias acabam permitindo produtos muito equivalentes. Tanto as redes de cabo, com o DOCSIS, quanto as redes de fibra têm uma evolução equivalente", diz Ramos. O que poderia fazer a diferença é na preparação das redes, mas segundo ele, na América Latina em geral as redes de cabo são bem estruturadas e conservadas e permitem uma evolução para os atuais e novos padrões de DOCSIS sem a necessidade de muitas alterações.

"O DOCSIS 3.1 já será um grande salto que só está acontecendo agora no Brasil, apesar de já estar amplamente adotado nas redes dos EUA há quase cinco anos. E o futuro DOCSIS 4 já está em processo de especificação e vai manter essa oferta bem competitiva (entre fibra e cabo)", diz Ramos.

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Ele diz que se as operadoras de cabo têm o desafio de ter uma rede bem mantida e com capacidade de espectro (acima de 850 MHz ou 1,2 GHz) para o DOCSIS, a fibra também tem os seus desafios. "Com certeza hoje, para uma operação que começa do zero, a fibra pode ser o investimento mais interessante, mas é preciso lembrar que as redes de fibra são passivas. Hoje a Claro tem 9,8 milhões de acessos de banda larga, a maior parte por meio da tecnologia de TV a cabo. A base se mantém estável há vários meses. Num cenário em que redes determinísticas, com muitos serviços e processamento na ponta da rede são mais demandados, essas redes vão precisar ser alimentadas. Nesse cenário, as redes de cabo podem até levar vantagem", diz, citando especificamente o backhaul para o 5G e outras aplicações que precisarão de processamento na borda.

Gilberto Sotto Mayor, fundador da Beegol, lembra que "mais do que a tecnologia de acesso que se utilize, se a operadora usa DOCSIS ou se usa GPON, o que faz a diferença é a experiência e a qualidade do serviço, e isso se consegue com melhoria no software. Uma rede de banda larga será tão boa quanto a capacidade que ela tiver de gerir a performance e antecipar os problemas", diz o executivo fundador da empresa, que é especializada em uso de técnicas de machine learning e inteligência artificial para gestão de experiência do cliente.

Um dos aspectos muitas vezes colocados como desfavoráveis às redes DOCSIS é a assimetria do downstream e upstream. Mas Ramos não vê isso como um problema. "O que a gente vê no uso médio da rede é uma proporção de 10 para 1 entre downstream e upstream, que inclusive aumentou para 13 para 1 nos últimos dois anos. Durante a pandemia essa proporção se estabilizou, mas nada indica que a demanda será simétrica na média de uso. Sempre tem um caso ou outro de um cliente específico, mas no geral somos muito mais consumidores do que provedores de conteúdo para a rede", diz Ramos. 

Podcast

A entrevista com Hugo Ramos é tema do TELETIME em Destaque, podcast semanal de podcast que analisou o mercado de banda larga no Brasil. Se você ainda não se inscreveu, o podcast está disponível nas principais plataformas: Spotify, Apple e Google Podcasts.

3 COMENTÁRIOS

  1. Bom dia Equipe Jornalística Tecnológica,

    A fibra óptica é mais barata, passiva e mais fácil de expandir.
    No Brasil a expansão da fibra óptica já deveria ter sido feita a mais de 10 anos, com a divisão das Telecoms
    Na realidade é custoso sair do cabo, pois é a tecnologia que a claro optou utilizar.
    A fibra óptica está em expansão a cada dia, inclusive o custo tem caído para o assinante que ganha com altas velocidades.

  2. Ah tenha dó. Ele deve usar vivo em sua internet, porque a claro com seu cabo é um lixo, exceto pra quem só lê e-mails, ou pra quem a tem como única opção. Além de enganar seus usuários com uma internet de baixa qualidade, e poço falar de cadeira.

  3. De fato, quanto ao aspecto da qualidade de experiência do assinante, não vejo vantagens de uma tecnologia sobre a outra. No entanto, os custos operacionais e de investimento, tornam o GPON mais atraente aos operadores, principalmente para operadores regionais, que detém quase que a metade do mercado atualmente.
    A escala e a diversidade de fornecedores dos insumos de uma operação GPON é bem maior que de uma operação DOCSIS e a passividade da rede GPON reduz custos de manutenção da rede.

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