Provedores regionais querem 5G, mas não para substituir fibra

Os provedores regionais demonstram interesse e deverão participar do leilão do 5G, mas não necessariamente para a tecnologia substituir a fibra. A ideia é que seja uma complementaridade, pelo menos em um primeiro momento, mas ainda com a proposta de ser banda larga para o usuário final.

Existe uma razão para essa estratégia: o custo de implantação de fibra até a residência (FTTH) continua menor, e trazendo benefícios semelhantes de capacidade e latência que o 5G requer. Especialmente na comparação com o acesso fixo-móvel (FWA). 

Durante o evento online "Oportunidades para ISPs em 5G", organizado pelo TELETIME nesta segunda-feira, 17, Alexandre Lovecchio, CEO da Sumicity explicou o porquê dessa abordagem. Para ele, o 5G depende muito da massificação das aplicações, especialmente as que demandam latência mais baixa. Também o aumento do ecossistema de hardware é levado em consideração no plano de negócios.

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"A gente entende que hoje a capacidade de fazer uns homes-passed (HPs) em fibra, versus FWA, é um tema de custo. Hoje a gente é capaz de entregar a fibra em uma precificação ainda bastante competitiva", declara Lovecchio. "Tem possibilidade sim, mas entendemos que a construção do HP é mais viável. O que não quer dizer que no futuro, o FWA não possa ser uma tecnologia mais democrática."

Visão semelhante tem o CEO da Brisanet, José Roberto Nogueira. "Se fosse há 10 anos e a tecnologia já tivesse preço em função de escala, seria mais barata. Mas hoje fazemos acesso em fibra muito mais barato, e manutenção também. Em lugares pontuais com dificuldade, aí sim daria para fazer FWA, mas nas pequenas cidades a fibra já tem penetração de HPs muito maior do que o número de casas", argumenta Nogueira.

Serviços digitais

Outro fator é que a Internet das Coisas ficar proibitiva na quinta geração em curto prazo. "Eu não vejo nos próximos cinco ou seis anos um mercado expressivo de IoT. Vamos ter praticamente só banda larga, e em cima de outros serviços, não vamos ter carro conectado", declara Nogueira. Ele argumenta que o chipset de 5G ainda tem preço alto, de US$ 50, o que impede que isso seja aplicado nessa tecnologia em larga escala. 

O executivo da Brisanet afirma ainda que a falta de pessoas especializadas no interior pode impulsionar serviços de telemedicina, por exemplo. "Tem cidade que o médico está atendendo paciente anotando em bloco, não tem prontuário eletrônico e nem acompanhamento", declara. 

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