QMC disputa mercado de indoor de olho no 5G

Foto: Futurecom

Em sua estratégia, a fornecedora QMC não conta apenas com o 5G, mas procura já se posicionar para as oportunidades que chegarão com a tecnologia. A empresa demonstrou a tecnologia de quinta geração ao fornecer a infraestrutura para as operadoras Claro, Oi, TIM e Vivo durante a o congresso Futurecom, no final de outubro em São Paulo, com aplicações diversas como telemedicina, realidade virtual, casa conectada e cloud gaming. A aposta é que a necessidade de otimização de Capex das teles favoreça a atuação da companhia. "A necessidade de investimentos abriu espaço para empresas como a QMC, a gente aplica o Capex que no passado as operadoras que faziam", destaca o presidente da empresa no Brasil, André Machado. 

O executivo explica que o mercado de "neutral host" começou com empresas de ativos externos, como torres, e há cerca de três anos começou a atuar em ambientes internos. Machado afirma haver "três ou quatro" players atuantes, e que a QMC já tem grandes projetos em prédios comerciais e em locais de eventos como a São Paulo Expo (onde foi realizada a Futurecom). Ele justifica que 80% do tráfego das operadoras circula em redes indoor, e por isso a área de atuação da empresa passou a se focar nessa vertente, alugando rede para as teles. Em aplicação de rede comercial, a QMC fornece infraestrutura para as quatro teles, além da Nextel, nas tecnologias 2G, 3G e 4G.

A companhia não tem backbone próprio ou conta com ativação de fibra, mas apenas com a conexão de pontos, interligando a torre ou small cell ao core de rede da operadora. "A gente não vende conexão e nem acende fibra, nosso negócio é infraestrutura básica", explica. Por isso mesmo, ele entende que não concorre com a Oi, que tem em sua estratégia futura fornecer infraestrutura e capacidade para outras operadoras com a chegada do 5G. "A gente vai aonde a Oi não está, onde não tem fibra", diz. "Por filosofia, preferimos não concorrer com nosso cliente."

A QMC não pretende seguir o caminho de empresas como a American Tower, que em sua estratégia passou a focar não só na infraestrutura, mas também na capacidade. Mas enxerga que a chegada do 5G poderá trazer oportunidades, como a de poder computacional na borda, o edge computing. Segundo o executivo, as operadoras estão começando a se preocupar com o assunto e a discutir a topologia das redes. E as aplicações que vão impulsionar isso são a virtualização da rede e o cloud gaming, além da necessidade de redes de distribuição de conteúdo (CDNs) ainda mais próximas, inclusive nas estações radiobase. "Com o edge computing, você economiza transporte e rede, e isso significa economia de custo e melhor performance." 

Assim, entende que o edge computing está no futuro da estratégia da fornecedora. "Faz sentido sim, mas é complexo, ninguém sabe o tamanho do investimento que vai demandar. Vai demorar uns bons dois ou três anos para ter volume crítico, a até lá, serão muitos trials e procura de modelo mais equilibrado para as operadoras", destaca, citando necessidade de as empresas e a tecnologia amadurecerem não só no Brasil. 

Leilão e antenas

No meio do caminho de tudo isso, contudo, estão entraves costumeiros para o setor de telecomunicações no Brasil, como a ausência de implantação da Lei das Antenas. Some-se a isso as indefinições sobre o leilão de frequências do 5G. André Machado diz estar otimista em relação às possibilidades. Ele destacou o entendimento de que o decreto regulamentador da Lei das Antenas e edital do leilão podem não temas concatenados, mas o timing os une. Mas ele percebe que há uma tendência ao atraso. "Do jeito que a coisa está indo, vai ficar para o final do ano que vem, e até alguém começar a executar, vai tomar ainda mais de três a seis meses – ou seja, começo de 2021 no melhor caso", afirma. 

Além disso, há a questão da interferência na frequência de 3,5 GHz. O executivo não acredita, contudo, que eventuais medidas para a limpeza da faixa poderiam postergar o lançamento das redes comerciais. Lembra que a própria experiência com a faixa de 700 MHz mostra que o País teria condições de lidar com o problema, seja por meio de migração da banda C, seja por meio de instalação de filtros nas TVROs. "Eu ouvi de muita gente próxima à matéria que a interferência não existe, mas tem que ser testado", declara.  

O que de fato pode atrasar o certame está em outra esfera. Na opinião de Machado, a modelagem de blocos regionalizados proposta pelo conselheiro Vicente Aquino (a matéria teve pedido de vistas e ainda está sendo estudada pelo conselheiro Emmanoel Campelo) para o leilão de frequências para o 5G "parece um pouco equivocada", uma vez que o mercado atual já demonstraria competição com quatro grandes operadoras em nível nacional. "Até a Oi, que está em dificuldades, tem uma rede maior do que a de outras teles de qualquer país da América do Sul", compara. "Acho que tem que se pensar com muita calma na proposta, na minha opinião não me parece uma boa ideia". Ele ainda cita que o nível de investimento terá de ser muito alto, e que um viés arrecadatório no leilão poderia reduzir o Capex destinado à infraestrutura.

Só que a legislação atual não facilita também os investimentos para a expansão de rede. O governo promete há meses um decreto que regulamentaria a Lei das Antenas, inclusive instituindo de volta o silêncio positivo, vetado no texto original ainda na gestão da então presidenta Dilma Rousseff. "Estamos na torcida, eu sou otimista por natureza e realmente acredito que [o decreto] vai sair. O governo tem tentado mudar algumas coisas, e como tem muita coisa sendo modificada, não duvido que vá olhar para isso", declara o presidente da QMC. Para Machado, a lei deveria ter uma aplicabilidade mais efetiva, assim como outras leis federais se sobrepõem às municipais. "A lei original é muito 'recomendativa'", critica. Ele acredita que a possibilidade de aprovação tácita da licença em 60 dias não passam por cima das regras de ocupação do solo, uma vez que as empresas continuam responsáveis, com ônus no caso de infrações. 

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