Hughes deve integrar a Yahsat gradualmente ao longo de 2020 e mira backhaul móvel

O início da operação da joint-venture das operadoras de satélite Hughes e Yahsat foi anunciado oficialmente nesta sexta-feira, 6, e com isso agora as duas empresas podem começar a se preparar para a fusão. A transação recebeu a autorização do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em setembro, e a anuência prévia da Anatel na semana passada – o que já permitiu a assinatura dos termos na sexta-feira, 29, o último dia útil de novembro. A expectativa do presidente da Hughes do Brasil, Rafael Guimarães, é que a integração das duas já esteja concluída até o final do ano que vem. "Em 2020, de forma organizada, a gente vai juntar as duas operações. Nada muda por enquanto, mas, ao longo do ano, a tendência é que a gente vá gradativamente deixando de usar a marca Yahsat", disse ele a este noticiário. 

Isso porque, como o próprio executivo já havia dito em maio deste ano, a integração de sistemas vai levar algum tempo ainda, uma vez que nada poderia ser feito enquanto não houvesse as aprovações regulatórias. Por conta disso, a marca Yahsat continuará a ser comercializada, até por uma "responsabilidade social com assinantes, funcionários e rede de distribuição". Para o cliente, continua tudo normalmente. "Quem tem Yahsat, não muda absolutamente nada. Se o cliente está pagando mensalidade, ele continua com o mesmo serviço. Eventualmente mudaremos de tecnologia, mas ele vai continuar pagando a mesma coisa e o mesmo serviço, de forma transparente."

A joint-venture já envolve três satélites em banda Ka no Brasil: dois da Hughes, o 65 West e o 63 West; e o Al Yah 3 da Yahsat. Há mais um quarto satélite previsto para ser lançado em 2021 – no caso, o lançamento do satélite Jupiter 3 (ou Echostar XXIV), que utilizará tecnologia de ultradensidade (UHDS), atendendo praticamente todos os países das Américas.

Além do mercado de banda larga diretamente para o cliente final e pequenas e médias empresas, a Hughes do Brasil espera poder entrar no mercado de telefonia móvel fornecendo capacidade satelital em banda Ka para backhaul de antenas. Para tanto, aproveitará o gateway da Yahsat no País e os terminais com a expertise da Hughes. "Porque o serviço não é só a tecnologia, é de fato conseguir manter o serviço funcionando com qualidade, garantindo presença e SLA." A perspectiva de leilão de 5G em 2020 é ainda é cercada de incertezas, mas Guimarães explica que  a demanda de 4G já é "muita coisa", e que certamente deverá aumentar com a nova tecnologia. Vale lembrar que a operadora dos Emirados Árabes já vinha tentando parcerias para fornecer capacidade para operadoras móveis desde pelo menos 2016.

Mais escala

A joint-venture não formará uma nova empresa, tratando-se de uma incorporação da unidade brasileira da Yahsat, que passa a deter 20% da joint-venture. "Agora, passamos a ter os dois acionistas", diz Rafael Guimarães citando a participação de 80% da própria Hughes. "A grande motivação desse movimento é criar uma empresa mais forte. O negócio de empresa de satélite é desafiador, do ponto de vista financeiro, e as duas estavam em 'voo solo'. A gente percebeu que juntos tínhamos mais chance, porque o negócio precisa ter escala", diz. Vale lembrar que as duas empresas fizeram joint-venture semelhante em 2018 para a região da África, Oriente Médio e Ásia Ocidental, mas com participação acionária invertida – 80% para Yahsat e 20% para a Hughes.

Para ganhar mais escala, contudo, a indústria inteira precisa da redução do Fistel. O tema foi defendido na quarta-feira, 4, pela própria Anatel, que reconhece que os valores atuais das taxas de instalação e de fiscalização para VSATs são demasiadamente altos (de R$ 201,12 e R$ 100,56, respectivamente). O mercado pede que tanto a TFI quanto a TFF sejam equiparadas às do serviço móvel. Depende, contudo, de mudança legislativa. "A gente espera que aconteça. É algo que faz muito sentido, não só econômico, mas de justiça, por não faz sentido esse preconceito todo em relação à banda larga por satélite", diz Guimarães. 

Mas ele ressalta que o planejamento da JV não pode contar com a aprovação do PL para mudar esse cenário em curto prazo. A visão do executivo da Hughes é que é a aprovação do PLC 79 (agora Lei nº 13.879/2019) mostra uma mudança na mentalidade do Legislativo em relação às demandas do setor de telecomunicações, incluindo autoridades demonstrando interesse e entendendo a importância dos satélites. "Mas é uma mudança complicada, depende de Congresso, depende da Lei. A gente tá percebendo que os ares estão mudando, uma simpatia maior para a nossa causa, da indústria de satélite."

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