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Operadoras divergem sobre equação econômica de redes neutras e pedem flexibilidade

A edição de 2023 do Teletime Tec, realizada nesta terça-feira, 28, em São Paulo, reuniu algumas das principais redes neutras de fibra óptica do País e também operadoras usuárias do modelo – que ainda divergem sobre a rentabilidade da estratégia para expansão na banda larga, apesar de concordarem que existem oportunidades importantes que se abrem com a separação entre operação e investimento em redes da empresa que cuida da gestão de clientes.

Uma das grandes entusiastas da abordagem de redes neutras, a Sky destacou números de sua operação no segmento, baseada 100% em redes neutras. Diretor de banda larga da empresa, Rodrigo Fernandes apontou um crescimento mensal de dois dígitos na operação (que reúne diferentes parceiros neutros) e a marca de 9 milhões de casas passadas (HPs) disponíveis para uso em 190 cidades.

A nova forma de prestar o serviço, contudo, teria métricas de rentabilidade distintas do modelo tradicional da banda larga. Assim como Pedro Arakawa (VP de negócios da rede neutra V.tal e também presente no debate), a Sky defendeu uma “mudança do critério de sucesso diante das novas formas de prestar o serviço”, nas palavras de Fernandes.

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Isso porque a contratação de redes neutras resultaria em margens Ebitda menores que as possíveis no modelo tradicional. “Isso não significa que é menos rentável se olhar o fluxo de caixa”, ponderou o diretor da Sky. Pela V.tal, Arakawa indicou o mesmo raciocínio – defendendo a necessidade de analistas de mercado avaliarem outros indicadores além de múltiplos do Ebitda.

A visão, contudo, é distinta da apresentada pela Vero – uma das primeiras usuárias de redes neutras no País e operadoras de banda larga regionais com redes pr[oprias. “Até o momento não encontramos equação ótima em termos de rentabilidade, mas o processo está caminhando”, afirmou o CFO da operadora, Marcus Albernaz. Segundo ele, a empresa não compartilha a visão que a rede neutra seja, do ponto de vista de fluxo de caixa, melhor por princípio que a rede própria.

“Você não coloca investimentos na frente mas tem impacto relevante do custo mensal, de manutenção, eventual inadimplência, então não é conta óbvia”. Justamente por ainda buscar essa equação que a Vero não escalou o uso do modelo neutro, por enquanto restrito a duas cidades de Minas Gerais. Assim, o recurso é considerado útil para “sofisticar” a oferta em situações específicas, como cidades mais distantes.

Flexibilidade

Ainda segundo Albernaz, a flexibilidade de contratos é algo que precisa ser refinado para maior apelo do modelo. Isso porque acordos com redes neutras teriam natureza fixa ao longo de tempo, frente uma “natureza volátil” do mercado de banda larga. “Como mimetizar a flexibilidade de uma rede própria em um contrato de três ou cinco anos, sendo que no ano que vem tudo [no mercado] pode ser diferente?”, questionou o CFO da Vero.

Diretor de InfraCo da Algar Telecom – que está estudando inclusive a possibilidade de ter sua própria rede neutra, além de ser candidata também ao uso de redes terceirizadas em alguns casos -, Leovaldo Martins levantou questionamento similar em um segundo debate no Teletime Tec. Para ele, uma “remuneração aderente” entre inquilinas e donas das redes de fibra ainda está para ser encontrada diante da tendência de aumento de velocidades e redução de tíquetes e das incertezas que o mercado de banda larga têm, com grandes variações de um ano para outro.

“Tem que existir algum espaço de discussão, para se ajustar à realidade que muda. Sem isso, não há longevidade”, apontou Martins. No momento, a Algar também realiza provas de conceito ao lado de players de redes neutras, em situação similar à da Claro, que está testando de forma bem embrionária o uso do modelo, segundo seu diretor de marketing, Fabio Nahoum.

As redes neutras

Por sua vez, Pedro Arakawa, da V.tal, destacou a aderência das redes neutras com operadoras de distintos portes – ou desde empresas como TIM, Claro, Ligga e Vero até operadoras de poucos milhares de assinantes. Players de fora da cadeia de telecom também recorrem ao modelo, inclusive uma companhia elétrica, apontou ele.

O momento atual indica uma maior dificuldade de se obter taxas de ocupação satisfatórias em redes próprias e pela restrição de crédito para provedores regionais. Arakawa também apontou que operadoras têm aprovado a ativação de novos clientes em rede própria para apenas metade dos consumidores que buscam serviços, por receio de churn após gastos com a aquisição. Neste sentido, a opção pela rede neutra seria uma forma de compartilhar esse risco com a dona da infraestrutura.

Outra rede neutra relevante do País, a FiBrasil também vê uma série de avanços no convencimento do mercado quanto ao modelo. Para o CCMO da empresa, Alex Jucius, afinar processos e ser mais eficiente é hoje o grande desafio do segmento, após questões iniciais como inventário e integração serem dirimidas. Hoje a FiBrasil tem 4,4 milhões de HPs em 140 cidades. A empresa tinha a meta de fechar o ano com 300 cidades, mas reviu os planos justamente para se adaptar a uma nova realidade competitiva, aos planos do tennant principal (a Vivo) e ao cenário de overbuilding.

A empresa também realizou mudanças em sua própria estratégia, adicionando parceiros de backbone por conta da demanda de clientes e focando na ativação de fibra até o poste (FTTP), em detrimento de uma abordagem com a fibra até a casa (FTTH) como protagonista, afirma Jucius. As redes neutras também devem ter papel importante no ordenamento dos postes, acredita.

Ponto similar foi levantado pelo CEO da I-Systems, Daniel Cardoso, que vê a expansão da fibra e uma melhor organização das redes já existentes como grandes oportunidades. A empresa também tem pretensão de se tornar um hub de produtos e serviços, com oferta de novas possibilidades de geração de receitas para operadoras a partir da rede neutra – inclusive no segmento B2B.

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