Abrint se opõe a local da usina de dessalinização na Praia do Futuro

Foto: Pexels

A Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), representando prestadoras de telecom de pequeno porte (PPPs), demonstrou oposição ao atual local de construção de uma usina de dessalinização na Praia do Futuro, em Fortaleza. 

A preocupação central, segundo a entidade, reside no potencial impacto dessa instalação da usina sobre a estabilidade dos cabos submarinos, essenciais para o regular funcionamento das telecomunicações no Brasil – inclusive em razão do substrato do fundo do mar, a perturbação de sua sedimentação e o perfil de implantação destes cabos. O posicionamento se alinha à manifestação da Anatel emitida na última semana, também sugerindo um novo local para a obra.

Na nota emitida nesta sexta-feira, 22, a Abrint declarou que o projeto na capital cearense decorre da "não observância das posições geográficas dos pontos de rotas dos cabos submarinos" em operação na região. Apesar das medidas já tomadas pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) para mitigar os riscos, ao afastar as tubulações dos cabos, a Abrint acredita que ainda existem sérias preocupações que precisam ser endereçadas antes do início das obras. 

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A entidade diz que reconhece a importância do projeto para a sustentabilidade hídrica de Fortaleza. No entanto, a proximidade da usina com o hub de cabos submarinos, que são vitais para a conectividade e segurança das comunicações do País, demandariam uma análise mais cuidadosa e aprofundada. "Estes cabos não são apenas infraestruturas de comunicação, mas também elementos críticos na geopolítica de dados e na segurança nacional", declararam os provedores.

Por isso, acreditam que ainda existem considerações a serem discutidas por todos os envolvidos, governo, a Cagece, as operadoras de telecomunicações, a Anatel e outras entidades reguladoras. "Através de um diálogo construtivo e colaborativo no deslocamento do local da usina, se encontre um equilíbrio entre os benefícios advindos deste projeto de dessalinização com a preservação da integridade dos cabos submarinos, garantindo assim a segurança e a continuidade dos serviços de telecomunicações em nosso país", defendeu a Abrint.

Recentemente, o projeto da usina foi alterado para afastar as tubulações para cerca de 500 metros dos cabos submarinos que chegam à Praia do Futuro. A distância é tida como suficiente pelas responsáveis da obra e pela Superintendência do Patrimônio da União no Ceará (SPU/CE). Já as operadoras temem risco para certificações de data centers e chegada de novos cabos ao hub, além do impacto sobre as estruturas existentes.

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