Satélites: limpeza do 3,5 GHz para o 5G deve durar até cinco anos

Foto: Pixabay

A limpeza da banda C estendida (3,625 a 3,7 GHz) para utilização no 5G e a reorganização de serviços satelitais após o processo pode levar até cinco anos no Brasil. A projeção foi revelada nesta terça-feira, 22, pela consultoria Roland Berger durante o Painel Telebrasil 2020.

A estimativa faz parte de estudo contratado pelas operadoras de satélites para avaliação de impactos econômicos do cenário. "O que vemos como possível e viável são pelo menos cinco anos para conseguir fazer implementação 5G de forma segura e adequada", afirmou o consultor da Roland Berger, Frederico Sato.

Complexo, o processo impactaria diretamente 15 satélites (brasileiros e estrangeiros) dos 56 em operação no País. A limpeza afetaria não apenas os sistema de TVRO (parabólicas para TV aberta) e broadcast, mas também as verticais de backhaul para telefonia móvel e atendimento de governo e estatais.

Por esses motivos, o Sindisat avalia que o setor precisará ser ressarcido. De acordo com Sato, um valor justo calculado (mas não divulgado) envolveria os custos da migração para uma faixa mais alta e um reequilíbrio de investimentos ainda não amortizados pelas satelitais. 

Presente no debate durante o Painel Telebrasil 2020, o conselheiro da Anatel, Moisés Moreira, reconheceu a complexidade da situação, mas afirmou que o processo conduzido pela agência não é uma negociação. "A área técnica analisará de forma justa e baseada em critério técnicos, e vai propor de forma direta, não se tratando de uma negociação".

Incentivo

Segundo Sato, da Roland Berger, o Brasil já está no primeiro ano (o de planejamento) dos cinco previstos para o processo de limpeza e harmonização da banda C. Alternativa considerada provável pela Anatel, a migração de sistemas TVRO para a banda Ku não foi diretamente abordada no estudo que definiu o prazo.

"Há possibilidade de compressão desse cronograma? Certamente sim, mas existem riscos que de alguma forma deveriam ser mitigadas", argumentou Sato, durante o Painel. O consultor notou que nos EUA, o processo liderado pelo governo também tem prazo de cinco anos. Nesse intervalo, serviços 5G já estão em implementação.

Já na Austrália, um prazo de dois anos foi fixado para grandes cidade como Sidney e Melbourne, passando para cinco anos em praças intermediárias e para sete no interior do país. Um modelo faseado também poderia ser adotado no Brasil, afirma a Roland Berger.

De acordo com Sato, um dos quatro componentes do custo seria justamente um incentivo para viabilizar uma operação acelerada da limpeza. Um ressarcimento antecipado foi adotado nos EUA como forma de garantir a aceleração da limpeza pelas operadoras de satélites. No Brasil, o processo deve ser custeado com a arrecadação do leilão de 5G.

Custo

O valor a ser ressarcido às satelitais ainda envolveria o custo propriamente dito da migração para a banda C estendida (como dupla iluminação, mão de obra e equipamentos) e a adaptação da infraestrutura terrena, inclusive com ajuda de filtros LNBF.

Neste caso, o Sindisat defende uma banda de guarda de 40 MHz para evitar interferências nos serviços, bem como a redução da potência de terminais 5G. Diretor de espectro da operadora Hispasat, Javier Veglison também afirmou que a solução LNBF que será utilizada no processo ainda não chegou ao mercado.

"Precisamos saber as condições que a área técnica [da Anatel] vai definir e baseado nisso, os fabricantes de filtros vão ter que trabalhar com operadoras de satélites para um filtro específico brasileiro", afirmou. Um outro desafio será a identificação de estações terrenas nas quais a intervenção será necessária; hoje, a base que existe sobre o tema é desatualizada.

2 COMENTÁRIOS

  1. Para que essa 5G? O intuito é monitorar a vida das pessoas implantando cameras por todo lado. Não sabem que a radiação eletromagnética traz malefícios?
    A fibra ótica cumpre muito bem o papel para internet.

    • Mais um que só comenta fake news aqui
      favor mostrar dados reais sobre o tema mencionado cidadão
      se for pra ser comentado assim sem embasamento técnico e jurídico não vale
      lamentável esse comentário

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