Novas rotas submarinas na América Latina dependerão sobretudo de OTTs

Cabo submarino da Antel, que interliga Uruguai ao Brasil e se conecta ao sistema Monet. Foto: Reprodução/Antel

Após o boom de cabos submarinos inaugurados e anunciados na América Latina nos últimos anos, a percepção de players que atuam na região aponta para a baixa probabilidade de novos sistemas serem lançados por aqui sem a participação – de preferência na liderança dos projetos – de empresas over-the-top (OTTs) como Facebook e Google. A possibilidade foi apontada durante evento do segmento de atacado realizado nesta terça-feira, 12, em São Paulo.

CEO da norte-americana Seaborn, Larry Schwartz afirmou que ainda existem rotas no mundo onde a construção do cabo é viável sem uma OTT como parceira. "Mas se a rota endereça a demanda de uma OTT, obviamente vai ser difícil fazer sem elas, e provavelmente tomando o papel de liderança". CEO da Globenet, Eduardo Falzoni expressou opinião semelhante em relação a novos cabos para a América Latina.

A própria Globenet recebeu o Facebook como parceiro do sistema submarino Malbec em setembro último após anunciar a construção do cabo quatro meses antes; com 2,5 mil km previstos, a estrutura ligará Rio de Janeiro e São Paulo até Buenos Aires. Já o Google tem participação em três cabos submarinos no Brasil; um deles é o Júnior, que liga Praia Grande ao Rio de Janeiro e é exclusivo da empresa.

O mesmo vale para o cabo Curie, que ligará Santiago (Chile) à costa oeste dos EUA. "[O Curie] atende as próprias necessidades do Google, o que faz muito sentido para a empresa, mas não necessariamente atende a demanda [total] da rota", observou Schwartz, da Seaborn – que opera e detém o Seabras-1, entre São Paulo e Nova York. Outros dois sistemas brasileiros com marca do Google são o Tannat (fruto de parceria com a uruguaia Antel) e o Monet (construído ao lado de Algar, Antel e Angola Cables e ligando Fortaleza a Miami).

Para o CEO da Angola Cables, Antonio Nunes, o segmento de cabos submarinos está prestes a alcançar um "limite de disrupção" onde "as OTTs vão ser obrigados a virar operadores", sobretudo diante dos custos de manutenção atrelados aos sistemas. Ele também não descarta o inverso, com operadoras atacando a área de conteúdo como forma de "retomar o equilíbrio". Mesmo reconhecendo que foram as empresas over-the-top as principais responsáveis pela chegada de novos sistemas que baratearam o custo regional de transmissão, Nunes destacou que isso só foi possível por conta da assimetria regulatória entre operadoras tradicionais e empresas de Internet. "Como os reguladores taxam as OTTs de maneira distinta, cobrando deles impostos baixos, eles têm capacidade de obter receitas maiores."

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