Minoritários se dividem sobre relação de troca de ações

O fundo de investimento holandês Cyrte, um dos maiores acionistas minoritários da BrT, declarou ao jornal O Globo que votará a favor da relação de troca de ações proposta pela Oi. Caso os minoritários aceitem a relação proposta, as ações da Brasil Telecom (BrTO) serão trocadas por ações da Telemar. Entretanto, o assunto ainda não é consenso entre os minoritários, apesar do risco de se manterem em uma companhia, que na cadeia societária, ficará longe do bloco de controle.
Um outro fundo que detém uma participação minoritária na BrT declarou a este noticiário que não vê "problema nenhum" em manter sua posição e, portanto, votar contra a relação de troca na assembléia. Na visão desta fonte, a empresa não teria problema de liquidez, uma vez que o número de ações no mercado continuará o mesmo e a Brasil Telecom vem apresentando bons resultados.
Caso a incorporação não seja feita, analistas mostram que essa situação pode mudar. Embora a BrT se mantenha com fluxo de caixa próprio e resultado próprio e, portanto, capaz de atrair investidores normalmente, a gestão da Telemar poderá contribuir para que ela não tenha bons resultados. Isso porque, os dividendos da BrT teriam que remunerar os minoritários e, além disso, seriam diluídos na cadeia societária até chegar na Telemar e, por fim, aos controladores.
Caso a integração não aconteça, a primeira providência da Telemar será transferir parte da dívida para a BrT, como inclusive já foi falado publicamente pelos dirigentes da Telemar. Além disso, é possível que outros custos também sejam alocados na BrT de modo a maximizar a geração de caixa e o lucro da Telemar. "Para o controlador é melhor que o lucro seja gerado na Telemar. No caso do Capex, certamente o controlador vai pesar a mão na BrT. E ele pode fazer isso", afirma um analista que prefere não se identificar.
Diante deste cenário, a hipótese mais cogitada pelos analistas é que a BrT perderá atratividade e, consequentemente, liquidez. "A probabilidade maior é que ela começe a definhar", diz o analista.
Histórico
A relação de troca ficou menos vantajosa para os minoritários da BrT depois que a Oi descobriu que precisaria aumentar em R$ 1,29 bilhão suas provisões para ações judiciais movidas contra a BrT por acionistas donos de papéis do plano de expansão do antigo sistema Telebrás. Um estudo feito pelo Credit Suisse chegou aos novos valores, que serão aprovados ou não em assembléia marcada para 16 de junho.

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