Para analistas, Oi deve assumir ônus de não ter feito due diligence na Brasil Telecom

A nova relação de troca das ações da Brasil Telecom pelas da Telemar desencadeou uma nova onda de questionamentos no mercado. Por que a provisão encontrada na Brasil Telecom deve alterar a relação de troca das ações? Essa pergunta não é respondida pelo laudo elaborado pelo banco Credid Suisse, que em uma longa introdução se exime de qualquer responsabilidade em relação ao mérito da transação.
Analistas do mercado financeiro entendem que essa questão deve ser precedida à analise da relação de troca proposta. Isso porque a Telemar anunciou a compra da Brasil Telecom sem que fosse feita uma due diligence, e por isso deve assumir eventuais passivos que a Brasil Telecom pudesse ter. Essa é a tese que tem mais força entre os analistas de mercado. Ao ajustar a relação de troca, a companhia nada mais faz do que transferir o "ônus" aos minoritários da Brasil Telecom. "Se você descobre essa provisão aos 45 minutos do segundo tempo, esse problema é seu que não fez due diligence. Entendo que a Oi tem que pagar pela pressa dela", diz um analista que prefere não ser identificado.
Além disso, essa incorporação em questão é a última etapa de incorporação de todo o processo. Acionistas da Brasil Telecom Participações já trocaram seus papéis por ações da Brasil Telecom operadora. Os própios acionistas do bloco de controle da Brasil Telecom também venderam suas participações a um preço que não considerava a provisão.

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Por todos esses motivos, a expectativa é que os minoritários da BrT não aprovem a nova relação de troca, o que não seria bom para eles próprios e tampouco para a Telemar. Um outro analista que prefere não ser identificado explica que a BrT ficaria muito longe do bloco de controle e também seria uma ação "esvaziada". Vale lembrar que o fato relevante divulgado em abril de 2008 – que deu o pontapé inicial para a compra – não previa que a relação de troca pudesse ser alterada em função de ajustes contábeis como o aumento de provisões. Os minoritários da BrT poderão ainda tentar fazer com que parte desse passivo seja absorvida pelos majoritários.
A não incorporação também é ruim para a Telemar e não só porque a empresa perde eficiência fiscal. Considerando que essa disputa pode não ser resolvida no curto prazo, as ações da BrT poderão ser castigadas porque o esperado cenário de consolidação das ações e simplificação da estrutura acionária não será concretizado. Além disso, a empresa também continuará marcada pelas disputas entre acionistas. "A briga de minoritários pode continuar sendo o foco da ação no lugar da análise de fundamentos. Isso afugenta, principalmente, o investidor estrangeiro", diz um analista.
As novas relações serão submetidas ao conselho de administração da BrT sob condição de que sejam posteriormente aprovadas pelos acionistas não controladores titulares de ações ordinárias e preferenciais da BrT.
O papel ordinário da Brasil Telecom (BRTO3) fechou o pregão em queda de 16,9% negociado a R$ 16,39. Já o papel preferencial (BRTO4) caiu 6,27%, negociado à R$ 11,51. O Ibovespa fechou o dia em queda de 0,68%.

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