Telefônica aponta aumento no tráfego de dados, mas não vê crise sistêmica no Speedy

O ato da Anatel proibindo a comercialização do Speedy até que a Telefônica tome medidas que garantam a regularidade do serviço acabou não vigorando, na prática, nesta segunda-feira, 22. Mesmo com a publicação da medida cautelar no Diário Oficial da União, a empresa admitiu que manteve as vendas, alegando que ainda não foi notificada oficialmente. A notificação, segundo a equipe jurídica da companhia, deve ser entregue em mãos para ter validade.
Apesar de não ter sido notificada (a Anatel não confirma se, de fato, comunicou oficialmente a decisão), a Telefônica já tomou providências para evitar que a suspensão perdure por muito tempo. A empresa entrou com um pedido de suspensão na agência e espera uma decisão rápida do órgão regulador. O entendimento dos advogados da empresa é que o próprio presidente da Anatel, embaixador Ronaldo Sardenberg, pode decidir monocraticamente sobre o pedido de suspensão, evitando a demora de uma deliberação por todo o Conselho Diretor.
Até que a agência decida sobre a solicitação, o presidente da Telefônica, Antônio Carlos Valente, assegurou que, às 0h dessa terça-feira, 23, o sistema de call center da companhia não aceitará mais pedidos para novas conexões do Speedy e veiculará a mensagem exigida pela Anatel esclarecendo que as vendas estão suspensas por ordem da agência "em razão da instabilidade da rede".
A Telefônica recebe por mês em torno de 500 mil chamadas relacionadas à compra do Speedy e aproximadamente 100 mil são convertidas em novas vendas. Valente não fez comentários sobre possíveis impactos financeiros com a suspensão das negociações do serviço de banda larga e argumentou que este não é o principal problema da medida tomada pela Anatel. Para o presidente da empresa, os impactos negativos da decisão estão concentrados na restrição do acesso ao serviço para uma grande camada da população, especialmente para as classes D e E onde as vendas têm crescido nos últimos tempos.
"Ainda que a gente impeça a venda, que a pessoa não tenha acesso ao serviço, essa não é uma garantia de que alguma coisa vai melhorar", afirmou Valente. O problema, de acordo com as análises da companhia, está no crescente aumento do tráfego de dados e não na inclusão de novos clientes. Segundo dados da empresa, a tráfego de informações cresceu dez vezes mais do que o número de novos clientes nos últimos anos, puxada por conexões com velocidades cada vez maiores e que permitem um uso mais intenso da internet, com downloads e streaming de vídeos, por exemplo.
"O crescimento em dados tem sido bem acima do que o planejado por todo o mundo", declarou o presidente da Telefônica, que não vê uma relação de "causa e efeito" entre a aquisição de novos clientes e as quatro panes ocorridas na rede do Speedy entre 2008 e 2009 – três que afetaram diretamente a oferta do serviço ao consumidor e uma com impacto no data center da operadora. Valente disse que não foi constatado nenhum problema sistêmico na rede da empresa que correlacione as paralisações. O presidente da Telefônica classificou algumas paralisações do serviço como "um acidente que poderia ter acontecido com qualquer um".
Demissões
Valente não quis falar em demissões por conta do cumprimento da cautelar da Anatel, mas ressaltou que a medida tem impacto em uma longa cadeia de negócios da Telefônica. A empresa possui hoje contratos com mais de 130 empresas que fazem revenda dos serviços do Speedy. E, segundo o presidente da companhia, só este ramo contrata mais de 20 mil pessoas. Ao ser questionado se a Telefônica estava ameaçando a agência com demissões em massa, Valente rechaçou a declaração de estar fazendo uma "ameaça", mas não descartou a dispensa de funcionários como um impacto negativo da medida. "Existe a possibilidade de pessoas ficarem sem serviço."
Além disso, a empresa espera impactos em outros dois ramos do negócio: a publicidade e a relação com os provedores de acesso à Internet. A Telefônica deve suspender todas as campanhas publicitárias relacionadas ao Speedy, "até porque, não faz sentido anunciar algo que não podemos vender". O efeito sobre os provedores está no fato de que grande parte dessas empresas possui contratos com a Telefônica para a autenticação das conexões do Speedy. Assim, se a Telefônica não pode ter novos clientes na banda larga, os provedores também passam a ter limitado seu crescimento no mercado.
Sem plano
A empresa também deve ter dificuldades em cumprir outra exigência feita pela Anatel: a apresentação de um plano que garanta a "fruição e a disponibilidade" do Speedy. A companhia tem 30 dias para entregar à Anatel o projeto, mas Valente admite que este é um ponto que precisa ser melhor discutido com a agência. Isso porque a Telefônica, por entender que não há problemas na sua rede, não sabe o que a agência reguladora espera ser apresentado no documento. "Nós não temos idéia das medidas necessárias", afirmou Valente, com relação às exigências para a retomada do serviço.
Com isso, a própria empresa não fez qualquer especulação sobre o tempo que a cautelar da Anatel deve permanecer em vigor. "Pode ser que seja um ano, pode ser que seja 180 dias… Nós não sabemos." Segundo Valente, a companhia sempre prezou pelos investimentos na rede e aplicou R$ 500 milhões na infraestrutura usada pelo Speedy no ano passado. Para 2009, a projeção de investimento é de R$ 750 milhões.
A decisão da agência, no entanto, pode comprometer a expansão da banda larga no estado, inclusive dentro da política pública de ampliação do backhaul. Valente afirmou que os planos de expansão estão garantidos até julho, mas, a partir daí, caso a medida continue vigente, será preciso rever o projeto, nem que sejam os investimentos programados pela própria companhia. Com relação ao backhaul, Valente disse que "está avaliando" o que fazer, pois trata-se de obrigações assumidas contratualmente com a Anatel.

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