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A partir de estudo conjunto, Europa e Brasil buscam parcerias em semicondutores

Semicondutores
Foto: Pexels

O estudo “Fortalecimento do conhecimento bilateral UE-Brasil sobre tecnologia do setor de semicondutores e possibilidades de cooperação em comércio e P&D”, apresentado na semana passada durante o Painel Telebrasil Summit , traz um diagnóstico sobre o mercado de semicondutores e estabelece as bases para explorar uma parceria entre a União Europeia e o Brasil neste setor, que patrocinaram o relatório. A íntegra do trabalho está disponível aqui.

Como se sabe, semicondutores são a base de todos os produtos eletrônicos e desempenham um papel central nas economias modernas e vida cotidiana, e o estudo sustenta que uma futura colaboração entre Brasil-UE no setor de semicondutores “exigirá estratégias conjuntas no que se refere à adoção de políticas de apoio internas e externas”. Além disso, como sustentam a transformação digital e são essenciais para todas as indústrias, a ação cooperada visaria promover uma compreensão mútua das respectivas cadeias de suprimentos e políticas de semicondutores para facilitar ações futuras de forma a fortalecer uma parceria estratégica bilateral no setor.

As principais considerações quanto ao setor de semicondutores

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O relatório oferece uma visão geral do cenário de fabricação de semicondutores e, em particular, do posicionamento do Brasil e da UE nos principais segmentos da cadeia. Uma das principais constatações é que a produção de chips ocorre em uma cadeia de suprimentos global, complexa e bastante concentrada, especialmente em áreas como fabricação e encapsulamento, o que torna o desenvolvimento de qualquer política necessariamente parte de uma análise do cenário global. 

No front-end da cadeia de suprimentos, apenas duas empresas no mundo, localizadas em Taiwan e na Coreia do Sul, são capazes de produzir os mais avançados chips lógicos de 3nm. No back-end, a indústria global de montagem, teste e encapsulamento (ATP) está fortemente concentrada na Ásia, sendo que a UE detém menos de 5% desse mercado. 

Fora da Ásia, o Brasil é o 2º maior centro de Empresas Terceirizadas de Montagem e Teste de Semicondutores (OSAT), fornecendo serviços de encapsulamento de Circuitos Integrados (Cis) e testes. No entanto, sabe-se que esse cenário está mudando significativamente com a promulgação das Leis de Chips dos EUA e da UE, aponta o estudo.

Essa Lei Europeia dos Chips é o novo pacote legislativo com o qual a Comissão Europeia procura fortalecer o ecossistema de semicondutores e enfrentar a escassez de chips que o mercado registra há anos. 

Vários exemplos de investimentos planejados são apresentados, incluindo futuras fábricas de semicondutores, como a da Intel em Magdeburg, Alemanha; a futura fábrica da Wolfspeed de dispositivos de carboneto de silício de 200 mm em Saarland, Alemanha; e, mais recentemente, em 5 de junho de 2023, GlobalFoundries Inc. e STMicroelectronics anunciaram que vão construir uma nova fábrica de semicondutores de 300 nm de alto volume, operada em conjunto, em Crolles, França.

O relatório mapeia também os principais atores na área de pesquisa no Brasil e na UE em seus respectivos ecossistemas de semicondutores. Ambos os territórios têm uma forte capacidade de pesquisa e de formação em semicondutores, oferecendo muitas oportunidades para enfrentar os principais desafios da indústria de semicondutores na atualidade e na próxima década.

Recomendações políticas para apoiar e fortalecer o ecossistema

Algumas recomendações de políticas também são recomendadas pelo relatório e foram agrupadas em três áreas principais: aumento da colaboração da indústria (Recomendações 1-3); melhoria dos ecossistemas inter-regionais de semicondutores em todas as áreas, incluindo educação, treinamento e melhores práticas (Recomendações 4-6); e, finalmente, implementação de uma iniciativa transversal para coordenar ações e compartilhar conhecimentos para melhorar a resiliência das futuras cadeias de suprimento de semicondutores do Brasil e da UE (Recomendação 7).

  • RECOMENDAÇÃO 1: Aumentar a colaboração da indústria no Brasil e na UE em programas estratégicos de pesquisa e desenvolvimento de semicondutores, inclusive com a possibilidade de aproveitar todas as oportunidades de P&D no âmbito do Chips Joint Undertaking e quaisquer outras parcerias da indústria focadas em PD&I. 

RECOMENDAÇÃO 2: Fortalecer as parcerias industriais e os vínculos da cadeia de valor entre o Brasil e a UE na cadeia de semicondutores no setor automotivo e de comunicações de forma a melhorar a resiliência das cadeias de valor globais e aumentar a competitividade das indústrias da UE e do Brasil globalmente. Alavancar, sempre que possível, os vínculos corporativos da UE existentes no Brasil (incluindo os centros de pesquisa de empresas da UE com subsidiárias no Brasil). Facilitar a participação de centros corporativos de pesquisa da UE no Brasil em programas europeus de inovação. 

RECOMENDAÇÃO 3: Promover uma plataforma de PMEs da UE e do Brasil e desenvolver ações para acelerar o crescimento de PMEs e start-ups de alta tecnologia por meio de vínculos e cooperação entre PMEs identificadas na cadeia de suprimento de semicondutores. Essa ação poderia se beneficiar das plataformas existentes na UE, como a European Enterprise Network (com consultores de sustentabilidade dedicados), os European Digital Innovation Hubs nos setores de semicondutores ou de automóveis e comunicações, e a iniciativa EU Start-up Nations.

RECOMENDAÇÃO 4: Criar parcerias inter-regionais entre o Brasil e a UE para impulsionar o comércio, a competitividade da cadeia de suprimentos e a inovação. As regiões brasileiras e da UE, com seus clusters e parceiros industriais, seriam estimuladas a participar dessa iniciativa e a desenvolver um pipeline de projetos de investimento em semicondutores.

RECOMENDAÇÃO 5: Aprimorar a cooperação e a comunicação do ecossistema de semicondutores por meio de um Centro de Competência em Semicondutores UE-Brasil. Esse centro conjunto de competências conectaria os atores brasileiros à rede emergente de centros de competência em semicondutores dos Estados-Membros da UE e, da mesma forma, conectaria os atores da UE à rica rede de centros brasileiros e centros de programas APCI. 

RECOMENDAÇÃO 6: Promover iniciativas bilaterais de pós-graduação e formação de engenheiros, tecnólogos, cientistas e empreendedores na área de semicondutores. De uma perspectiva brasileira, seria interessante considerar uma adaptação do antigo programa brasileiro “Ciência sem Fronteiras”, transformando-o em um programa de “Semicondutores sem Fronteiras” entre a UE e o Brasil, segundo o estudo. 

RECOMENDAÇÃO 7: Coordenar ações e compartilhar conhecimentos para melhorar a resiliência das cadeias de suprimento de semicondutores do Brasil e da UE, incluindo o monitoramento do funcionamento das cadeias de suprimento de semicondutores do Brasil e da UE, bem como a detecção e resposta a crises por meio de medidas corretivas coordenadas.

 

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