Bolsonaro: leilão 5G passa por política externa e preço não pode ser único critério

Foto: Alan Santos/PR

Em live no Facebook realizada na noite da última quinta-feira, 11, o presidente da República, Jair Bolsonaro, fez algumas considerações sobre o leilão de 5G do Brasil. Segundo ele, aspectos como política externa, soberania nacional e segurança de dados serão levados em consideração além do fator preço, que não poderia, em sua avaliação, ser o único critério para a construção de redes da tecnologia no País.

"Temos pela frente a questão do 5G. Antes que falem de interferência [do governo], houve uma orientação minha de proceder nessa questão, e nós faremos o melhor negocio levando em conta vários aspectos, não apenas o econômico. Às vezes, o mais barato não quer dizer que é o melhor, e nem sempre o mais caro é o melhor também", afirmou Bolsonaro.

"Nós vamos atender requisitos da soberania nacional, segurança das informações, segurança de dados e política externa, que também entra nessa questão", prosseguiu o presidente. A abordagem do assunto pode ser conferida a partir dos 29 minutos da transmissão, que contou com participação do chefe da assessoria internacional da presidência, Filipe Martins.

Posted by Jair Messias Bolsonaro on Thursday, June 11, 2020

As menções ao aspecto "preço" e à relevância da política externa no leilão 5G indicam relação com a participação de fornecedoras chinesas, mais notoriamente a Huawei, no fornecimento de equipamentos 5G no Brasil – visto que a companhia é tida como o player que oferece a tecnologia a preços mais competitivos. Após incluir a chinesa em uma Lista de Entidades cujos negócios nos EUA são cerceados, o governo norte-americano vem fazendo pressão para que aliados não permitam a participação da Huawei no 5G.

Vale destacar que fornecedoras não participam do leilão (previsto para o ano que vem), e sim as operadoras de telecomunicações, que arrematam radiofrequências para oferta de serviços. Nesse ponto, o aspecto preço também é considerado relevante, uma vez que o setor defende um leilão "não arrecadatório", com valores de outorga menores em detrimento de mais compromissos de cobertura. Entre as teles, a Vivo tem se pronunciado em favor do uso de equipamentos da Huawei.

Minicom

Bolsonaro ainda abordou a recriação do Ministério das Comunicações, oficializada via medida provisória (MP) na última quarta-feira, 10. Nas palavras do presidente, a decisão não deve gerar aumento de despesas ou a criação de novos cargos; apontado para o cargo de ministro, o deputado federal Fábio Faria (PSD-RN) poderia decidir entre o ordenado de parlamentar ou o de titular da pasta.

2 COMENTÁRIOS

  1. Mas quem garante que o governo não pode impor no leilão requisitos proibindo a implantação de redes 5G com tecnologia/equipamentos chineses?

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