Problemas na rede da Telefônica decorrem de falhas de gestão

A Telefônica está na berlinda desde que a Anatel determinou que a empresa não poderia mais vender seu serviço de banda larga enquanto não apresentasse um plano de recuperação da qualidade do Speedy. O plano já foi entregue, mas a questão permanece: será suficiente? Antônio Valente, presidente da Telefônica no Brasil, esteve no Congresso Nacional nesta terça, 7, e, na presença dos deputados da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, disse que a operadora assume totalmente a responsabilidade sobre as falhas, garante que até o final do ano terá o melhor serviço de acesso banda larga do Brasil e que dinheiro nunca foi nem será o problema. Mas há dúvidas sobre a efetividade das medidas propostas pela empresa.
De um lado, executivos ligados à Telefónica de España que estiveram no país na semana passada disseram a este noticiário que há um problema de gestão no Brasil. Eles negam enfaticamente que as causas da deficiência nos serviços sejam falta de investimentos ou a forma internacional de gestão da operadora com uma suposta excessiva concentração da tomada de decisões na Espanha. Se fossem esses os motivos, alegam esses executivos, os problemas surgidos no Brasil também teriam ocorrido em outros países nos quais a Telefônica opera. O que não foi o caso até agora, ressaltam.
Por outro lado, há vários anos funcionários e executivos da Telefônica no Brasil queixam-se do fato de que a estratégia operacional é, efetivamente, definida pela matriz, e que a operadora tem pouca autonomia para tomar decisões importantes aqui. Não é uma questão de falta de dinheiro ou de remessa de recursos para o exterior, mas de pouca liberdade para a administração local, o que gera embaraços, atrasos e dificulta a resposta às demandas do mercado.

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Este noticiário busca ouvir o presidente da Telefônica no Brasil, Antônio Valente, desde a semana passada sobre estas dificuldades operacionais. Em rápida entrevista dada a alguns jornalistas no final de sua apresentação aos deputados nesta terça, Valente disse que não houve falhas de gestão na administração da rede, mas sim excesso de intervenções, motivadas pelo crescente aumento do uso da infraestrutura de banda larga, que teria afetado a Telefônica muito mais do que qualquer outra empresa.
Com tantas intervenções, a rede teria se tornado mais vulnerável a falhas, o que ocasionou problemas. Valente citou como exemplo da explosiva demanda por serviços de vídeo o Youtube e o portal G1 (do grupo Globo), como grandes demandadores de capacidade da rede.
Questões no ar
Mas algumas questões permanecem: a Telefônica, observando o aumento de demanda de tráfego, não poderia ter antecipado as medidas que pretende tomar justamente agora? A empresa reconhece que a sua capacidade de processamento das requisições de DNS está 50% abaixo da demanda. Não poderia ter tomado a providência de dobrar seus servidores antes de chegar a esse ponto? A empresa pretende adiantar R$ 70 milhões de um total de R$ 750 milhões em investimentos que já tinha programado até o final do ano, mas o prazo para os ajustes é justamente o final do ano. Qual a diferença?
Na semana passada, fornecedores da operadora foram chamados para ouvir um relatório das medidas que serão tomadas. Saíram frustrados, pois esperavam que a empresa apresentasse detalhes do que será feito em cada ponto da infraestrutura e quais as responsabilidades de cada um, o que não aconteceu. Há grandes fornecedores que dizem que um dos problemas está na contratação de empresas menores e sem experiência para a administração de aspectos críticos da rede.
Ao que tudo indica, todas estas medidas anunciadas pela Telefônica só terão efeito se vierem acompanhadas de uma mudança de procedimentos e na própria forma de administrar a rede, o que Antônio Valente confirma que acontecerá. Só não está claro se estas mudanças só acontecerão por parte da equipe brasileira ou se os espanhóis também terão que mudar alguma coisa na forma de atuar.

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