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Brasil VOD 2015
Plataformas VOD avançam para mercados de nicho
quarta-feira, 24 de junho de 2015 , 13h08 | POR LEANDRO SANFELICE

A popularização do vídeo sob demanda (VOD) abriu portas para a disseminação da tecnologia também em mercados de nicho. Sem os blockbusters que mobilizam milhões de pessoas em plataformas como Netflix e sem a variedade do YouTube, projetos desenvolvidos por empresas nacionais estão focando em conteúdo específico e direcionado para seus consumidores. Em painel realizado na primeira edição do Brasil VOD 2015, promovido nesta terça, 23, pela Converge Eventos, alguns desses desenvolvedores apresentaram seus projetos e falaram das oportunidades e dos desafios encontrados.

"O Videocamp surgiu com o propósito de conectar o público com o conteúdo que ele quer assistir. No caso, pessoas interessadas em obras capazes de promover o debate de temas de relevância social", diz Luana Lobo, sócia e diretora de distribuição híbrida da Maria Farinha Filmes. A produtora e a plataforma Videocamp foram criadas pelo Instituto Alana, dedicado à proteção da infância.

Além de reunir obras que abordem temas de relevância social, o Videocamp estimula exibições públicas, com instruções de como promovê-las para os usuários. O produtor pode optar por disponibilizar seu conteúdo para exibições gratuitas ou exigir doações com valor mínimo ou não. "Esses filmes precisam de espaço para se comunicar com sua audiência. Esse espaço é difícil de ser encontrado no circuito tradicional – não apenas no Brasil mas em todo o mundo", diz Luana.

De acordo com ela, o objetivo é popularizar os conteúdos nas exibições públicas, aumentando a demanda do público. A ferramenta inspira-se na historia da própria Maria Farinha Filmes, que já testou métodos de distribuição alternativa nos seus três primeiros longas: "Criança: A Alma do Negocio", "Muito Além do Peso" e "Tarja Branca". Os dois primeiros foram até mesmo distribuídos gratuitamente no YouTube. "Quando terminamos a exibição no circuito tradicional, não tínhamos conseguido levar a mensagem para o número de pessoas que gostaríamos. Foi então que resolvemos arriscar e o resultado foi muito bom, com mais de 1 milhão de visualizações. Além disso, começamos a receber propostas de plataformas online como a Netflix e de canais para exibir o conteúdo, mesmo com ele disponível gratuitamente. Aconteceu até mesmo algo surpreendente que foi o público pedir pelos filmes em DVDs, e a caixa que lançamos com os três vendeu muito bem", conta Luana.

O Videocamp ainda possibilita que o usuário ajude as causas abordadas nos filmes com ações simples, como pequenas doações ou compartilhamento do conteúdo. "É uma forma de incentivar o ativismo de sofá, que nesse casa acreditamos ser positivo. Quando termina de ver um filme, a pessoa muitas vezes se sente tocada e quer ajudar, fazer algo, mesmo que não tenha muito tempo", explica a diretora.

O novo longa da Maria Farinha FIlmes, "Território do Brincar", que chegou recentemente aos cinemas, será lançado em breve na plataforma.

Conteúdo educativo

Desenvolvida pela HXD, a plataforma Galileo reunirá conteúdo educativo. "Com a popularização do ensino à distância esse mercado cresceu muito, com universidades e outras instituições produzindo vídeos de muita qualidade", diz Salustiano Fagundes, presidente da empresa.

No entanto, ele diz que grande parte desse conteúdo é difícil de encontrar ou não está disponível em todas as plataformas. "Nossa plataforma, por sua vez, estará disponível nas três lojas de dispositivos móveis – Windows, Apple e Android – e em praticamente todas as marcas de smart TVs", diz Fagundes. O plano da empresa é lançar a Galileo em novembro, começando pelas smart TVs.

O usuário poderá alugar um curso específico por um determinado período de tempo ou pagar uma assinatura que dará acesso a parte do conteúdo presente na plataforma. Existe ainda a possibilidade de assistir gratuitamente conteúdo de branded content. No caso dos conteúdos pagos, os vídeos são licenciados pela HXD junto às instituições que os produziram. "Procuramos adotar modelos bem flexíveis para clientes e produtores, facilitando o acesso ao conteúdo", explica Salustiano.

Segundo ele, o plano é oferecer inclusive cursos certificados por meio da plataforma. "Teremos vídeos que vão desde cursos de curta duração até pós-graduações".

Entretenimento direcionado

O Moony, criação da unidade brasileira da Samsung, é uma plataforma que agrega uma série de canais desenvolvidos para públicos específicos dentro dos aparelhos da marca sul-coreana. "Os grandes players do mercado todos estão disputando o mesmo público utilizando os mesmo blockbusters, e nós resolvemos oferecer conteúdo diferente, direcionado", diz Marcelo Mattar, diretor de vídeo e mídia da Samsung no País.

Os canais podem ser criados por produtores de conteúdo, como a Jovem Pan, ou por agregadores que licenciem conteúdo. Eles são divididos por temas – como infantil, música, esporte e animes. Os donos dos canais podem optar por oferecer os vídeos de forma gratuita, por assinatura ou em vendas transacionais, e têm liberdade para definir o preço. Organizados em uma programação linear, também podem ser consumidos individualmente sob demanda.

"O dono do canal conhece melhor seu conteúdo que a Samsung, por isso ele cuida da curadoria, da programação e decide o melhor modelo de negócio para cada vídeo. Adotamos um modelo de revenue share, que varia de acordo com quem negocia os anúncios e o modelo adotado", explica Mattar.

Para desenvolver o Moony, a Samsung criou uma start-up dentro da sua estrutura – a Media Solution Center. "A Samsung tem seu foco na produção e venda de aparelhos, mas esse é um negócio que tem um amplo ciclo de troca. Chegamos à conclusão que apenas a venda de aparelhos não sustenta o negócio pensando no futuro", diz o diretor.

Em operação no Brasil, o Moony deve chegar ao restante da América Latina em breve. Atualmente, conta com 35 canais e, de acordo com Mattar, a intenção é chegar até 60. "Existe muito conteúdo de qualidade que não chega à Netflix e outras plataformas maiores, focadas em blockbusters caros. Por outro lado, se esse produtor optar por levar o conteúdo ao YouTube, perderá grande parte do seu poder de monetização. Nossa ideia é se posicionar nesse espaço", conclui.

Conteúdo de qualidade que não encontra espaço no circuito tradicional e nas gigantes do mercado de VOD também é o foco da Looke, plataforma desenvolvida pela Encripta que combina aluguel, compra e assinatura de vídeo sob demanda. Seu catálogo inclui lançamentos, filmes de catálogo, conteúdo educacional e até conteúdo de canais de TV tradicionais. "Queríamos desenvolver uma plataforma que oferecesse a maior diversidade possível, mas com um conteúdo completamente diferenciado", explica Luis Bannitz, presidente da Encripta.

A Looke já conta com 12 mil usuários cadastrados e 7,5 mil vídeos em seu catálogo. "Oferecemos conteúdo que muitas vezes não tem apelo para seguir no circuito tradicional de distribuição, mas que têm um público que se interessa por eles. Reunimos todo tipo de conteúdo, mas não conteúdo qualquer – são obras de qualidade profissional, criadas por produtores", conclui o executivo.

Combos

A oferta direcionada e diversificada de plataformas VOD esbarra em uma questão inevitável – haveria espaço no bolso do consumidor para tantas opções diferentes de conteúdo? Para os desenvolvedores a resposta é sim, e a solução para isso é apostar em parcerias com marcas, que ofereceriam créditos para consumidores que comprassem seus produtos.

Segundo Mattar, da Samsung, o Moony contará com um sistema de vouchers para que o cliente pague pelo conteúdo disponível na plataforma a partir de outubro deste ano. "O usuários poderá ir no supermercado, por exemplo, e se a marca for parceira da plataforma ele ganhará R$ 10,00 em crédito para adquirir conteúdo a partir de um certo valor de compras", exemplifica.

A mesma estratégia será adotada pela Looke já a partir de julho. "Estamos desenvolvendo uma parceria com uma marca específica que funcionará exatamente dessa forma – o cliente compra o produto e ganha acesso a uma determinada quantidade de vídeos", explica Bannitz.

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