Huawei defende 6 GHz para o 5G e sugere ondas milimétricas para o WiFi

CTO da Huawei, Paul Scanlan. Foto: Bruno do Amaral

Em linha com o posicionamento do setor na Mobile World Congress deste ano, a Huawei também acredita que a faixa de 6 GHz poderia ser utilizada de forma mais eficiente pelo serviço móvel licenciado, como no 5G. A demanda por espectro é uma questão não apenas para o consumidor final, mas também para aplicações no mercado corporativo, como em redes privativas, e por isso a empresa defende uma alocação de metade dos 1.200 MHz disponíveis para o WiFi 6E (ou WiFi 7), diferente do que a Anatel já efetuou no Brasil. 

O CTO da Huawei, Paul Scanlan, acredita inclusive que a faixa de 6 GHz não é mais adequada para o WiFi. "Do ponto de vista de arquitetura, faz perfeito sentido [usar para o 5G]. O 6 GHz não fica tão longe das faixas médias como 3,5 GHz e 4 GHz", argumenta. E coloca a sugestão: "Por que não usar o 26 GHz para o WiFi?". 

A justificativa é que, como as aplicações são em maior parte para uso indoor, faria mais sentido ter uma faixa mais alta como nas ondas milimétricas. Além disso, cita que há uma procura maior pelo 5G em redes privativas, o que justificaria uma adoção do uso licenciado. Perguntado por TELETIME se o custo do uso de mmWave para aplicações de WiFi não seria mais alto, mas com mesma dificuldade de penetração em obstáculos (paredes, portas etc.), Scanlan argumentou que o custo atual é alto porque o ecossistema é pequeno. Ele também discorda das aplicações outdoor, reiterando que o maior tráfego do WiFi é indoor e que o serviço não licenciado não consegue entregar as mesmas garantias de qualidade (SLA). 

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O executivo da empresa não confirmou se a Huawei levará esse tipo de posicionamento à Conferência Mundial de Radiocomunicação (WRC-23), da União Internacional de Telecomunicações. "Temos diferentes discussões e já sabemos aonde vai dar", afirma. Na visão dele, as "indicações são claras" de que o 6 GHz será utilizado pelas operadoras de celular no mundo. "Esse tópico é controverso porque precisaremos ter mais espectro, por causa do comportamento do usuário. Se todo mundo tivesse fibra, talvez a gente pudesse colocar WiFi em todo ambiente (quarto, sala). No WiFi, você recebe o que você paga."

Agregação

Por outro lado, Scanlan acredita que as próximas atualizações do 5G é que poderão trazer a experiência prometida de ultra banda larga móvel. Durante a MWC, as empresas mencionaram a próxima etapa antes do 6G: o Release 19, que tem sido chamado de 5,5G ou 5G Advanced. Assim como foi no caso do 4,5G/LTE Advanced, trata-se da aplicação de agregação de portadoras combinada com outras soluções, como massive MIMO, multiduplexação etc. "O 5G faz vídeo melhor do que o 4G, mas não é o suficiente. O 5,5G tem essa qualidade, mas precisa ter espectro. Temos oportunidades: a forma mais natural é com o espectro mais baixo, como o 2,1 GHz, com o qual temos histórico de refarming", argumenta. 

Diretor de cibersegurança e privacidade da Huawei, Marcelo Motta, acrescenta que a tecnologia é uma evolução, saindo das velocidades de 1 Gbps para 10 Gbps. "Para nós darmos essas experiências adicionais, porque tem muito mais aplicações novas, talvez precisemos de mais espectro." E para isso, o porta-voz da companhia no Brasil argumenta: "Uma possibilidade em discussão global é o uso do espectro do 6 GHz. Caso esteja disponível, será melhor, podendo combinar diferentes espectros para ampliar a capacidade total para a indústria. Vai ser bem importante que uma porção seja reservada para essa evolução, defende."

*O jornalista viajou a Barcelona a convite da Huawei Brasil.

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