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Vero avança em projeto nacional e discute fusão com provedores

Fachada de ponto comercial da Vero Internet. Foto: Divulgação

Operadora nascida em 2019 da integração de provedores liderada pelo fundo Vinci Partners, a Vero Internet completou quatro anos de operação neste mês de abril com pretensão de ser uma competidora nacional no mercado de banda larga, discutindo fusões com provedores de médio porte e observando uma séries de mudanças na demanda do consumidor por serviços.

A recente captação de debêntures da empresa, a possibilidade do IPO e negociações no mercado de redes neutras também foram abordados em entrevista concedida pelo CEO da Vero, Fabiano Ferreira, ao TELETIME. Confira os principais pontos:

Vocês acabaram de finalizar captação de R$ 375 milhões em debêntures incentivadas. Como os recursos devem ajudar os planos de expansão da Vero? A debênture vai ser muito importante para o crescimento orgânico, o que nos permite que recursos que iriam para lá vão para inorgânico. Não temos prazos para aplicação, mas eles devem ajudar a sustentar um bom ritmo de crescimento em um período próximo de três anos. Também podemos consumir recursos em menos tempo se houver oportunidade, até porque conseguimos liberação do Ministério das Comunicações para R$ 1,1 bilhão em debêntures incentivadas, e agora emitimos R$ 375 milhões. Nada impede que em algum tempo eu possa acessar novamente o mercado e emitir nova dívida em condições aceitáveis, de acordo com o momento.

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Como as condições de captação se comparam com outras alternativas de financiamento no mercado?

Por serem debêntures incentivadas é um investimento de longo prazo. Fizemos emissão com sete anos para pagamento, com quatro anos de carência, sendo um investimento excelente até para pessoas físicas que puderam investir, pois para elas há isenção no imposto de renda. As condições oferecidas foram muito boas, dado o cenário macroeconômico, o prazo de pagamento e dado o aspecto da nossa altíssima taxa de retorno.

Nós temos uma taxa de retorno sobre investimento (ROI) de 27%, enquanto a média do setor no Brasil é de 11%, com muitas empresas tendo dígito único se você avaliar os resultados de 2022. Se tivéssemos menos de 10% de ROI seria muito complicado crescer com dívida, mas como sempre tivemos disciplina, isso nos dá credibilidade para acionar o mercado, utilizar os recursos, trazer retorno, pagar a dívida e remunerar o acionista. O ROI de 27% é muito maior do que eu estou pagando na emissão [cuja remuneração é de IPCA +9,34% ao ano].

O crescimento orgânico passa por novos estados (a empresa atua em Minas, região Sul e Goiás, além do Distrito Federal)?

Há muita oportunidade com a chegada em uma nova região, mas não estamos focados só no Centro-Oeste. Sudeste e Sul também são vertentes importantes para crescimento orgânico e inorgânico. Há cidades que estamos olhando em outros estados, não significa que vamos entrar, mas a oportunidade existe. O mesmo vale para M&As. Não queremos lançar fibra por lançar, nem fazer M&A pelo M&A, sempre tivemos esse cuidado muito grande porque nem sempre chega no fim da análise sendo a melhor oportunidade de investimentos. Mas olhamos oportunidades, essa é uma rotina semanal. Fizemos transição de empresa local para um projeto nacional, atingindo um pico com a chegada da região Centro-Oeste [através de aquisição da Fixtell]. Vamos começar a operar com amplitude, em três das cinco regiões do País.

Sobre o crescimento inorgânico, qual o perfil de empresa buscada em termos de número de assinantes?

Temos vários negócios assinados, com preferência de aquisição ou exclusividade. Há outros na esteira de avaliação, desde negócios de dezenas de milhares de clientes até centena ou centenas de milhares de assinantes. Miramos um tamanho mínimo de uns 30 mil clientes, mas consideramos muito mais o tipo de região, o perfil socioeconômico do cliente e a estruturação da rede. Esse perfil do cliente reflete na inadimplência, no faturamento médio.

Há empresas com centenas de milhares de assinantes que não estão tão organizadas, então é fundamental avaliar, até porque nunca fizemos loucura. Não somos alucinados por M&A para adquirir base. Podemos ter notícias nos próximos meses, mas as negociações estão mais demoradas por N fatores, e quem está vendendo também está mais cuidadoso. Antes a negociação durava dois meses, hoje elas duram seis meses…

Essa dificuldade tem a ver com uma tendência de redução dos valores pagos em provedores regionais?

Tenho visto a tendência de redução do valor do ativo, mas não porque o setor está tendo valor menor. A tendência é de ter mais valor na medida em que passa o tempo, mas entre as empresas que não são só conectividade, que têm serviço e produto em cima. Os ativos que estão perdendo valor ficaram muito na onda da conectividade e velocidade. É preciso agregar e é isso que a gente vem fazendo. O setor tem oportunidade de crescimento, mas quem não evoluiu vai perder valor [em quatro anos, a Vero realizou 18 compras de provedores].

A Vero tem sido procurada por outros players com interesse na aquisição da empresa?

Não temos sido alvo desse tipo de questão, mas fazemos parte da conversa e do processo de fusão entre os médios provedores. É natural que isso exista, não é nenhuma novidade. As empresas se conversam porque o mercado vai amadurecendo e pode ser boa a oportunidade de acontecer consolidação de médios players. Há uma probabilidade de média para alta disso ocorrer.

Em que cenário essa alternativa seria interessante para a Vero? E com quantas empresas vocês já conversaram?

Há boas oportunidades de combinações e outras não tão boas. Evidentemente há a questão da sobreposição de cobertura: quanto menor, maior a oportunidade. Também há produtos e serviços que podem ser combinados. Além disso, há o mindset de acionistas, pois é preciso que eles olhem na mesma direção. Olhamos a opção com carinho, não é que temos que fazer fusão, mas boas combinações podem gerar valor, enquanto combinações erradas podem fazer com que ativo maior passe a valer menos. Há mais de duas dezenas de empresas no mercado [que podem ser avaliadas] e não falamos com todas elas, mas às vezes trocamos figurinhas. Ouço bastante conversas sobre isso não só envolvendo a Vero, mas também outros players. É uma dinâmica natural.

Sobre a abertura de capital, quando vocês consideram que a opção voltará a ser atrativa no Brasil? A performance de outros provedores regionais na bolsa desencoraja?

Eu não tenho resposta sobre quando o Brasil vai permitir, mas a gente está bem preparado. Já temos registro de companhia aberta e relacionamento construído com o mercado há mais de dois anos. Quando acontecer, não vamos entrar como desconhecidos, pois temos interface trimestral com as casas de investimento, algumas inclusive entraram na debênture. Do ponto de vista de desencorajar, não desencoraja, pois acredito que as empresas em bolsa têm condições de evoluir e também porque as histórias são diferentes da nossa. Nós já nascemos de M&A e muitos foram ao mercado dizendo que comprariam para gerar valor, sendo que a gente nasceu assim. Nosso retorno sobre investimento é o maior do setor e todos os elementos fazem crer que teremos boas condições, havendo uma janela.Torcemos para ser o quanto antes, mas não sabemos se em meses ou um ano ou mais.

Já sobre redes neutras: como anda a adoção da alternativa pela Vero? A empresa avalia ela própria realizar uma segregação estrutural entre redes e clientes?

Estamos com redes neutras [com a V.tal] em duas cidades de Minas, Ubá e Sete Lagoas, mas não finalizamos negociações sobre parâmetros e condições para “rolloutar”. Já com a Fibrasil parâmetros comerciais foram alinhavados e estamos escolhendo cidades certas, acredito que teremos algumas com o passar dos meses. Então estamos em negociação com todas as grandes [a terceira empresa é a I-Systems].

Já sobre a cisão de rede, a gente não tem essa perspectiva. Analisamos periodicamente, mas no momento não faria sentido. Isso não quer dizer que no futuro não possa ocorrer, mas estamos focados no business. A empresa é sucesso porque tem alinhamento estratégico muito bom entre funcionários e acionistas. É muito importante continuar crescendo e gerando resultados duradouros, focando não só nos acionistas, mas com perspectiva de longo prazo com cliente, funcionários e sociedade.

De uma forma geral, o que mudou no mercado de telecom e de banda larga fixa desde a criação da Vero?

Em primeiro lugar mudou a questão do serviço em si. Quando iniciamos tinha muita oportunidade de chegar primeiro na casa do cliente entregando a fibra, mas em um segundo momento isso mudou. Os dois anos de pandemia levaram a uma preocupação muito significativa do cliente com WiFi e distribuição do sinal na casa. Outra questão foi o que você oferece em velocidade, pois se na rede móvel você dedica velocidade para um único dispositivo, na banda larga você podia ter quinze dispositivos conectados – então a velocidade foi elemento que também mudou.

Uma outra mudança foi o aspecto de serviços digitais. Não basta mais chegar apenas com a fibra e com WiFi, o cliente está cada vez demandando serviços digitais premium, como streaming, diferentes dos serviços de valor agregado que eram oferecidos anteriormente. Essas foram as grandes evoluções que ocorreram nesse curto espaço.

Há como a Vero seguir crescendo no ritmo visto até agora? (em quatro anos, o faturamento cresceu em média anual de 78%, com clientes passando de 130 mil em 2019 para atuais 800 mil).

O crescimento percentual foi muito expressivo, e agora podemos ter crescimentos absolutos similares. Então ainda há espaço para crescer: não seremos a única, mas a Vero vai ser uma das protagonistas. É um serviço de necessidade básica e um setor que é muito resiliente, então há mercado para continuar crescendo. Dentro da evolução que citei, muitas empresas podem ter fibra razoável, ou WiFi e velocidade razoável, mas não têm serviços digitais como a gente consegue ter. Também temos máquina de aquisição e de integração muito bem organizada. Isso nos deixa muito bem posicionados.

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