Agência do Reino Unido realiza consulta pública para definir IoT

A agência reguladora e autoridade de competição da indústria de telecomunicações do Reino Unido, Ofcom, publicou nesta semana uma chamada para consulta pública para colaborações para poder promover investimento e inovação na Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês). A ideia é angariar conhecimento do papel dessa nova atividade, em particular questões de espectro, políticas de segurança e tipos de protocolos utilizados, além do papel da própria entidade nessa regulação e a definição do que é a IoT.

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A entidade procura definir conceitos para poder trabalhar com questões mais específicas. "Estamos particularmente interessados nas definições dos setores do que é IoT e as visões sobre quais aplicações devem ser dominantes e as características dessas aplicações (em termos de alcance, qualidade de serviço, velocidade de conexão, throughput de dados, custo de rádio, vida útil da bateria etc.)", diz o texto.

A agência procura também contribuições sobre a escala e natureza da demanda espectral, "incluindo o quanto de espectro adicional pode ser necessário para suportar a IoT, se for necessário; que bandas de frequências podem ser eficazes; e qual a abordagem é a mais apropriada, se a baseada em espectro licenciado ou no não licenciado", diz o texto da Ofcom. A entidade considera para o uso de espectro dedicado faixas baixas (e de alto alcance), como a de 400 MHz; de 870 MHz a 876 MHz; e de 915 MHz a 921 MHz. Já para o uso compartilhado, estipula essas mesmas faixas (exceto a de 400 MHz), mas com tecnologias como Wi-Fi 802.11af e .11ah.

No caso de se considerar necessárias frequências adicionais, a entidade pede por contribuições sobre qual banda usar (se alguma em particular ou se várias, chamando atenção para a necessidade de harmonizar com o uso internacional), a abordagem de autorização de espectro e a coexistência com outros usos do espectro, desde que sem causar interferência.

Segurança e protocolos

Para o aspecto de segurança e privacidade de dados, a Ofcom sugere encontrar novas maneiras de solucionar o problema. "Haverá alguns problemas relacionados à captura, compartilhamento e processamento de dados sensíveis pessoais e comerciais", diz o documento. "Entretanto, o desenvolvimento da IoT vai levar a novos problemas de privacidade. Por exemplo, pode não ser óbvio para os usuários que os dados deles estão sendo capturados, especialmente se os dispositivos IoT e interfaces de usuários não forem familiares." A agência alerta para a possibilidade de que, se essas questões não forem tratadas, o desenvolvimento e a popularização da Internet das Coisas sejam comprometidos.

Em relação aos protocolos de endereçamento, a Ofcom pergunta se os dispositivos vão se conectar a redes móveis convencionais com números telefônicos; se seriam utilizados protocolo de Internet (IP); ou se as aplicações só iriam requerer uma rede fechada, um endereço de IP privado ou se outra forma de endereçamento poderia ser utilizada. No entanto, a entidade alerta para a escassez dos endereços IPv4 e para o fato de que o uso do network adress translation (NAT) com o IPv4 poderia levar a uma complexidade e a uma arquitetura de rede inflexível, incapaz de sustentar o número esperado de dispositivos IoT.

Todos esses pontos são preocupações válidas e deveriam ser consideradas por qualquer agente regulador, não somente o do Reino Unido. A Ofcom reconhece isso, inclusive na possibilidade de seu papel mudar dependendo de como a tecnologia for desenvolvida. "Por exemplo, um papel mais proativo pode ser apropriado quando novas bandas de frequência se tornarem necessárias, criando novos problemas de coexistência com outros serviços ou onde o acesso de terceiros requeira padrões interoperáveis comuns entre redes e dispositivos."

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