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Processo de venda da Telecom Italia poderia demorar anos, prevê IDC

Luigi Gubitosi, CEO da Telecom Italia

[Publicado originalmente no Mobile Time] O tabuleiro foi montado, as peças estão dispostas, mas o jogo está apenas começando. A oferta inicial do fundo norte-americano de private equity KKR à Telecom Italia na última segunda-feira, 22, é só o início da partida. Segundo Luciano Saboia, gerente de pesquisa e consultoria de telecomunicações da IDC Brasil, “neste momento, temos muita conjectura e pouca definição”. Para ele, esta será uma história a ser acompanhada ao longo de 2022. E talvez por mais tempo. Em conversa com Mobile Time nesta quarta-feira, 24, o executivo analisa como fica a situação da TIM Brasil – caso o fundo norte americano compre a Telecom Italia, uma vez que a Vivendi negou intenções de desinvestimento – a partir de duas situações possíveis: o KKR absorvendo a operação brasileira ou vendendo-a.

O gerente de pesquisa da IDC reforça que o mercado brasileiro é estratégico para as empresas de telecomunicações. “Uma população como a nossa, com a nossa área geográfica e com um mercado como o nosso: estamos muito bem posicionados. O Brasil não fica renegado a uma posição secundária e os dois cenários ainda são válidos”, diz.

“Existem preocupações no ambiente de concorrência e competitividade que precisam ser pensadas pelo regulador, mas o Brasil é um ambiente muito favorável para os negócios na área de telecomunicações. Qualquer que seja o arranjo, certamente teremos relevância no cenário global”, resume.

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Questionado se a venda da TIM Brasil seria viável, Saboia diz que o arranjo até seria possível. No entanto, as questões regulatórias pesariam. “Entre as possibilidades, a que menos acredito ser viável é a compra dos ativos pela Claro ou Telefónica”, diz. “A venda da operadora neste caso, seria um motivo de preocupação para o órgão regulador”, completa. Outro ponto a ser analisado é que, com a aquisição da Oi, a rede da TIM vai ganhar novos usuários. “A rede da TIM vai ganhar um montão de novos usuários por consequência da venda da Oi. Isso será algo que precisa ser considerado e que pode ser bastante interessante”.

Vivendi

Para o analista, a Vivendi sabe muito bem que a TIM Brasil é um ativo estratégico, mas sua área de atuação é a Europa. “O mindset que fica atribuído à Vivendi é defender sua presença em Portugal, Itália e Espanha, enfim, Europa, e não abrir o flanco para um outro competidor. Não sei fazer juízo de valor se ela tem interesse nos ativos da TIM Brasil. Não vejo esse apetite demonstrado de forma clara”, diz Saboia.

Por conta de todas as possibilidades de jogadas, a partida não está definida, mas apenas começando. A novela está na fase de apresentação dos personagens. E o executivo estima que ainda poderão acontecer reviravoltas e enrolar o meio de campo.

“Acredito que a operação deva levar anos. Não podemos esquecer do golden share do governo italiano (poder de veto da venda)”, lembra Saboia, que aproveitou para fazer dois paralelos. O primeiro com a Portugal Telecom, “que tinha um rombo gigantesco e, por isso, o processo de venda foi rápido”, comenta. E o segundo exemplo com a Oi, cuja recuperação judicial começou em 2016 e ainda se desenrola. “Olha há quanto tempo a situação está se desenrolando, quantos presidentes a empresa teve nesse período. Tem muito arranjo regulatório, muito arranjo de negócio que pode acontecer ainda (no caso da Telecom Italia). Os interesses são muito grandes. E existe uma necessidade de conectividade por parte das operadoras. A dimensão da Oi e a importância dela para as pessoas, empresas e governo é enorme. Na Itália é o mesmo. A Telecom Italia é uma incumbente”, resume Saboia.

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