Assimetria regulatória, mão de obra e leis das antenas são desafios para o 5G, diz Feninfra

Apesar do sucesso do leilão do 5G, realizado no começo deste mês pela Anatel, o Brasil precisa ainda superar alguns desafios para que a quinta geração da telefonia móvel chegue de maneira efetiva para a população e as operadoras possam cumprir os compromissos assumidos com o governo pela aquisição das frequências, segundo aponta a presidente da Feninfra, Vivien Suruagy.

Durante o painel do Teletime Tec, evento organizado pelo Teletime e que aconteceu na tarde desta segunda-feira, 22, Suruagy listou três problemas, que no seu entendimento, precisam ser resolvidos o quanto antes para que o Brasil tenha o 5G.

O primeiro deles é a alta precarização que está acontecendo por empresas de origem "duvidosa" que estariam implementando redes Brasil afora. "Hoje, temos em torno de 1,4 milhão de trabalhadores que estão atuando em nossas empresas. E estamos vendo uma precarização na implementação das redes. E isso afeta qualidade dos serviços, além da segurança cibernética", disse a executiva no evento.

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Segundo Suruagy, a precarização envolve a implementação de redes de infraestrutura. "Essas redes se ampliam rapidamente, sem o devido cuidado técnico. Essa expansão se dá por conta de atuação de novos entrantes no setor. Essa precarização é uma verdadeira bomba-relógio", disse Suruagy. "Temos que ter adequada capacitação de mão-de-obra, registro trabalhista, obediência a regras tributárias, equipamentos de segurança, uso de equipamentos de procedência confiável etc. Estimamos que pelo menos metade das redes estão sendo construídas de maneira precarizadas".

Ainda sobre esse problema, a presidente da Feninfra também destacou que, em vários casos, observa-se o uso de equipamentos roubados na construção dessas redes não certificadas. "Uma empresa séria constrói sua rede e tem seus equipamentos roubados. Depois, esses equipamentos aparecem em outra rede, de empresas de origem duvidosa", disse.

O segundo problema que precisa ser superado é a assimetria regulatória que existe entre operadoras de pequeno e grande porte e entre o setor de telecom e as big techs. "As empresas de telecomunicações estão cada vez mais reguladas, com altíssimos tributos e ações trabalhistas. Enquanto as da Internet vivem um cenário mais flexível e que permite inovação", afirmou Suruagy.

Ela colocou ainda que é preciso o quanto antes discutir com os municípios uma atualização das leis municipais de antenas, por exemplo. "Precisamos instalar antenas, e temos um regulamento diferente em cada municípios. São mais de 3 mil leis municipais. Temos regulamentos vigorando que foram criados em 2000. Temos pedidos que estão tramitando em alguns municípios há mais de sete anos". E prosseguiu: "Assimetria gera redução de investimentos. Ela gera desequilíbrio. Para bombarmos o 5G, precisamos que os cenários de serviços estejam equilibrados", finalizou Suruagy.

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