Lançamento do 5G ainda em 2021 não depende das operadoras, diz Claro

Foto: Pixabay

O lançamento das primeiras redes 5G standalone, com as faixas adquiridas no leilão, não depende das operadoras e pode não acontecer no natal deste ano, como gostaria o governo Jair Bolsonaro (sem partido). A justificativa do CTO da Claro, André Sarcinelli, durante o Teletime TEC nesta segunda-feira, 22, é que as barreiras são de natureza externa: é preciso ainda compor as entidades que vão cuidar da limpeza do espectro de 3,5 GHz para poder permitir a operação sem causar interferência nas TVROs, o Grupo de Acompanhamento da Implantação das Soluções para os Problemas de Interferência na faixa de 3.625 a 3.700 MHz (GAISPI) e a Entidade Administradora da Faixa de 3,5 GHz (EAF).

Acontece que a criação dessas entidades está vinculada à assinatura dos termos de autorização, ocorrendo então 15 dias após a publicação dos extratos no Diário Oficial da União. "O 5G depende muito de construir o GAISPI, de criar a EAF e entender as cidades que são objetivos de obrigações no ano que vem podem, de fato, irradiar no espectro da banda C sem causar interferência nas TVROs. Depende muito mais de cumprir essa agenda, mas vai trazer mais oportunidades." 

A Anatel já definiu coordenadores para o GAISPI, mas se discute nos bastidores que a assinatura dos termos só aconteceria na segunda quinzena de dezembro justamente porque Bolsonaro pretende estar presente na cerimônia. Desta forma, a constituição do grupo poderia ficar apenas para 2022. 

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Sarcinelli coloca ainda que há cidades onde a implantação da infraestrutura necessária já está mais avançada, sobretudo com a instalação do core de rede standalone. "Papai Noel não consegue estar em todos os lugares ao mesmo tempo, então algumas cidades vão estar mais preparadas, e outras estarão apontando para o ano que vem. Independente de estar pronto ou não, a decisão cabe aos órgãos que vão ser criados para fazer a liberação", reitera.

Conta não fecha

Outro objeto do leilão no começo do mês, a faixa de 26 GHz também traz desafios, uma vez que foi disponibilizada ainda sem modelo de negócios estabelecido. E para operadoras, pode também não estar  como utilizar. "Todas as contas que fiz não fecham", declarou

O problema principal é o ecossistema, tanto de hardware quanto de aplicações. "Não é um desafio só da Claro, é a da Qualcomm com chipsets, de parceria com OEMs, da rede de infraestrutura com a Huawei etc. Todo o conjunto de atores tem que trabalhar para que o custo caia", analisou o executivo, que diz que está promovendo reuniões com "todos na indústria" para chegar a preços menores de equipamentos sem comprometimento de qualidade de serviço. 

Nas contas da Claro, ainda é mais barato levar a fibra diretamente até a casa do cliente, ainda que isso signifique custos com a instalação por equipe técnica nas residências em vez de apenas um modem plug-and-play na faixa de 26 GHz. "Hoje a conta não fecha em função do terminal. Ele ainda é mais caro do que o de 3,5 GHz, que ainda é mais caro do que o de 4,5G, que custa mais do que o de 4G", coloca Sarcinelli.

O CTO cita que há ainda fatores externos que pesam para todas as tecnologias, como impostos e taxa de dólar, uma vez que muitos produtos são importados e ainda é necessário "nacionalizar mais componentes". Enquanto isso, a necessidade de investimentos continua crescendo. "Não só para ondas milimétricas, com a inflação está subindo todos os preços, operadoras estão diminuindo [as margens], e a gente precisa encontrar de fato uma equação que fique de pé."

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