Pandemia afeta receitas, mas operadoras faturam mais com dados em 2020

Foto: Pixabay

A pandemia da covid-19 trouxe efeitos para as operadoras móveis em 2020, mas também mostrou comportamentos curiosos de consumo. A receita das operadoras, mais do que nunca, está consolidada no negócio de dados, mas o tráfego de voz disparou desde o início de medidas de isolamento social. 

Segundo dados do relatório do setor feito pela Anatel e divulgado nesta segunda, 19, as receitas das empresas sofreram abalo com a pandemia, mas acabaram apresentando recuperação no terceiro trimestre do ano. Na soma de todo o setor, mas ainda com dados limitados até setembro de 2020, a agência afirma que foram R$ 17,12 bilhões de receita operacional líquida total por trimestre entre as teles no mercado móvel brasileiro. 

O relatório da agência só contabilizou até setembro de 2020, mas é possível fazer o mesmo cálculo a julgar pelo que já foi divulgado pelas quatro grandes operadoras de celular no País – Claro, Oi, TIM e Vivo. Assim, uma atualização com o ano de 2020 completo contabilizaria R$ 17,645 bilhões no último trimestre do ano, o que representa um aumento de 2,33% em relação ao relatório da Anatel. No total, em 2020, foram R$ 68,470 bilhões somente do segmento móvel dessas teles.

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O patamar foi comparável ao do segundo trimestre de 2019, mas ainda bem distante do que as operadoras arrecadavam em receita, considerando valores reajustados, no final de 2012, como é possível observar no gráfico da Anatel abaixo.

Dados e voz

Dentro desse universo, é interessante destacar que que a receita de dados e voz estão cada vez mais distantes entre si. No início de 2017, a voz ainda dominava, com R$ 8,94 bilhões em receitas, contra R$ 8,71 bilhões em dados. Passados quase quatro anos, as operadoras registraram R$ 14,13 bilhões em dados, contra R$ 4,08 bilhões em voz.

É possível observar que a receita média por usuário (ARPU, na sigla em inglês) seguiu essa tendência no mesmo intervalo. No total, a ARPU observou aumento de 22,71% e total de R$ 22,37. Contudo, as receitas de dados cresceram 82,83%, encerrando o terceiro trimestre do ano em R$ 17,57. A ARPU da voz caiu 41,65% no mesmo período, ficando em R$ 5,03. 

A divisão de pré-pago e pós-pago mostra que houve um aumento de ambas as modalidades de pagamento, com curvas mais estáveis entre 2019 e 2020. Observa-se que ambos tiveram crescimento entre o segundo e o terceiro trimestre do ano passado, conforme o gráfico da Anatel.

Tráfego

Apesar da queda nas receitas, a pandemia teve um efeito: uma explosão no consumo de voz. Entre o segundo e terceiro trimestre houve um avanço vertiginoso, encerrando o período com 56,68 bilhões de minutos saintes. É um patamar que não se via desde o terceiro trimestre de 2018, conforme se observa no gráfico.

O crescimento exponencial do tráfego de dados é algo esperado, ainda que tenha apresentado uma leve redução no começo de 2020. Comparando com o primeiro trimestre de 2017, o aumento foi de 366,67%, chegando a 1,54 bilhões de gigabytes, de acordo com a agência.

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