Dantas e Cico aparecem como líderes de "organização criminosa"

A revista Carta Capital que circula a partir desta sexta, 18, traz reportagem do jornalista Sérgio Lírio com trechos do relatório parcial das investigações da Polícia Federal na chamada Operação Chacal, que apurou espionagem realizada pela Kroll supostamente liderada pelo grupo Opportunity contra Telecom Italia. Segundo o relatório da PF, "afigura-se perfeitamente o contorno de uma organização criminosa transnacional". Segundo a revista Carta Capital, que tentou ouvir o Opportunity sem sucesso, a Polícia Federal relata que "Daniel Dantas e Carla Cico, com pleno conhecimento dos meios utilizados pela empresa contratada ? mesmo porque eram os destinatários das informações produzidas ? traçavam as diretrizes da investigação. (…) Logicamente os citados contratantes são os que menos aparecem na atuação ilícita, vindo a atestar a existência de mais uma característica das organizações criminosas: a compartimentação?.
Carta Capital relata várias gravações telefônica que foram realizadas pela Polícia Federal, além de interceptação de emails dos agentes da Kroll, entre eles, Tiago Verdial, que chegou a ser preso pela PF, ocasião em que foram apreendidos muitos documentos.
Pelo relatório da Polícia Federal, que ainda está inconcluso, à espera de uma autorização judicial para que sejam incluídas informações colhidas nos computadores do Opportunity, o esforço da Kroll era encontrar provas que incriminassem a Telecom Italia em qualquer possível operação ilegal. Por esta razão, os vínculos entre a TIM e a Parmalat foram fortemente investigados, por meios "legais e ilegais", diz a revista. Carta Capital ainda mostra o esforço dos investigadores da Kroll para obter com sucesso dados fiscais sigilosos do grupo Globo, por exemplo, de executivos da Telecom Italia e de desafetos de Daniel Dantas, como o empresário Luiz Roberto Demarco e o dono do Jornal do Brasil Nelson Tanure. O Jornal do Brasil, aliás, foi o primeiro veículo a publicar o relatório da Polícia Federal, no último domingo, dia 13.

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A Polícia Federal teria descoberto, por exemplo, que a "organização criminosa" teria tido "acesso ao Sistema do Banco Central (Sisbacen), somente acessível por senha pessoal e intransferível. Referido sistema gerencia informações bancárias, especialmente operações financeiras de aquisição de moeda estrangeira, transferência de moeda para o exterior e outras?.
Em outro episódio objeto de grampo pela Polícia Federal relatado por Carta Capital, descreve-se um suposto encontro entre o pai de Tiago Verdial, um terceiro agente da Kroll e Luiz Leonardo Cantidiano, que estava deixando o cargo de presidente da CVM. Cantidiano, que atuou como advogado do Opportunity, nega à Carta Capital que tenha tido qualquer encontro com agentes da Kroll ou recebido qualquer documento, mas confirma ser amigo do pai do espião Tiago Verdial.
O relatório da Polícia Federal ainda traz diálogos em que o espião português comenta uma reportagem da revista IstoÉ Dinheiro que teria sido "todinha feita pela gente (Kroll)".

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