Brasil está perto do ponto de saturação, aponta estudo

A implantação das redes de terceira geração, o aumento exponencial da largura de banda oferecida aos clientes residenciais e novas tecnologias de transmissão de conteúdos audiovisuais têm gerado uma necessidade cada vez maior de grandes velocidades nas redes de fibra óticas. No entanto, como a grande parte das redes instaladas no Brasil tem mais de 10 anos, cerca de 50% das fibras não suportarão atualizações para velocidade de 40 Gbps – a maior disponível no mercado até o momento. Quem fez o levantamento foi a FiberWork Comunicações, empresa brasileira sediada em Campinas (SP) que já caracterizou 1 milhão de quilômetros de redes de fibra, dos quais 75% estão no Brasil.
"A situação no Brasil está chegando em um ponto de saturação", afirma Sérgio Barcelos, CTO da FiberWork Comunicações. Ele ainda acrescenta que, das redes caracterizadas pela empresa no Brasil, cerca de 30% não permitem canais ópticos de 10 Gbps – velocidade imediatamente inferior a de 40 Gbps.

Sem qualidade

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A explicação para isso, segundo ele, é que até a metade da década de 90 não havia uma preocupação muito grande com parâmetros ópticos das fibras (como dispersão cromática, atenuação óptica, dispersão do modo de polarização, entre outros) porque até então não existiam os equipamentos DWDM (Dense Wavelength Division Multiplexing) que permitem ampliar a velocidade e multiplicar o número de canais ópticos das fibras já implantadas. Com o aparecimento do DWDM, contudo, os parâmetros ópticos passaram a ser fundamentais porque é deles que depende a velocidade máxima que pode ser atingida pela fibra e a quantidade máxima de canais ópticos que podem ser criados. "A qualidade da fibra passou a ser importante", diz Barcelos. Conhecendo as características da fibra, a operadora tem condições de racionalizar o seu investimento. Os canais ópticos são diferentes feixes de cores em uma mesma fibra, o que permite criar fibras virtuais dentro da mesma infra-estrutura. Os DWDM atuais permitem criar até 96 canais ópticos de 40 Gbps cada um.

Custo de infra-estrutura

Outro problema que os donos das fibras atuais enfrentam é o custo com as estações de regeneração. Quanto mais baixa a qualidade da fibra, as empresas têm que implantar estações de regenerações mais próximas uma das outras para garantir a qualidade do sinal na ponta. Segundo Barcelos, a parte de obras civis de um projeto de fibra óptica representa cerca de 60% do custo total. "Essas estações envolvem custos consideráveis. É preciso garantir energia, colocar ar condicionado para os equipamentos e também toda a parte de segurança patrimonial", diz ele.

"Algo inacreditável"

Segundo Sérgio Barcelos "algo inacreditável" acontece com espantosa freqüência no Brasil. As operadoras compram sistemas DWDM de 2,5 Gbps e cerca de dois anos depois já estão trocando os equipamentos para a velocidade maior de 10 Gbps. "São dezenas de milhões de dólares desperdiçados", afirma. Isso porque os sistemas de 10 Gbps hoje em dia já têm o preço muito próximo do de 2,5 Gbps. "É impressionante a falta de conhecimento técnico das operadoras. As operadoras são extremamente financistas. Elas só se preocupam com o Ebtida e, mesmo assim, jogam dinheiro pelo ralo; se esquecem de olhar para os indicadores técnicos. Uma operadora de telecom não pode ser uma Nike", provoca.

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