Rodrigo Abreu: Oi continuará a ser relevante com clientes e infraestrutura

A CFO Camille Faria, o VP jurídico; Antonio Rabelo; e o CEO da Oi, Rodrigo Abreu

Com a aprovação da proposta da administração durante a assembleia geral de credores (AGC) na terça-feira, 7, o próximo passo para a Oi é a homologação do aditamento ao plano da recuperação judicial junto à 7ª Vara Empresarial. Mas o futuro que a gestão da operadora vê é de um cenário mais focado e, especialmente, com viabilidade e sustentabilidade para a empresa.  

Segundo o CEO Rodrigo Abreu, a Oi não sai diminuída após o processo de fatiamento e venda de ativos. "Muito pelo contrário. Ela [a Oi] passa a ter posição de destaque nas duas áreas, de clientes e de infraestrutura. E, quem sabe, poderá recuperar com receita inclusive maior do que a apresentada hoje", afirmou em coletiva de imprensa virtual após a AGC, ja na madrugada desta quarta-feira, 9. Ele argumenta que não haverá "diminuição ou perda de relevância" da empresa.

Na visão de Abreu, trata-se de um "primeiro passo" para o processo de soerguimento da Oi, mas a empresa já enfrentou "desafios imensos" do ponto de vista financeiro, operacional, legal e de estruturação. "E até agora, conseguiu entregar todos eles", destaca. 

Em fato relevante enviado ao mercado, a Oi destaca:

"A Diretoria acredita que o Aditamento ao PRJ aprovado atende a todas as partes interessadas de forma equilibrada e garante a viabilidade operacional, maior flexibilidade e eficiência financeiras e a sustentabilidade das Recuperandas, com a execução do Plano de Recuperação Judicial e do Plano Estratégico de Transformação, o reposicionamento da Companhia e a criação de valor para todos os seus stakeholders."

InfraCo

Abreu justifica que, mesmo com a venda de 51% do capital da InfraCo, a Oi permanecerá com uma grande fatia na empresa de fibra. Por isso, continuará a ser um player importante no mercado de infraestrutura também. "Esperamos um futuro bem sucedido a partir de 2022, quando começam a ser executados os planos de desenvolvimento independente das duas companhias remanescentes, a Oi S.A. e a InfraCo, na qual permanece em posição de destaque e atuando como principal cliente", afirma. 

Dívida com a Anatel

Segundo Rodrigo Abreu, a Anatel votou normalmente como credora quirografária (classe 3) na AGC, apesar de já estar em fase de negociação com a Oi para a renegociação da dívida de R$ 11 bilhões conforme a Lei nº 13.988/2020. "Existiu a adesão da companhia ao protocolo [da nova legislação] e a agência, usando a prerrogativa, teve a possibilidade de voto na classe em que foi quase 70% de aprovação", disse. 

Financeiro

Enquanto não completa a alienação da InfraCo e dos ativos da Oi Móvel, a companhia prevê duas linhas de empréstimo ponte adicionais, além de uma linha de R$ 2 bilhões com garantias que já era prevista no plano original. No caso da Oi Móvel, há a previsão de financiamento de R$ 5 bilhões. Outra, de R$ 2 bilhões sem garantias, é para "ajudar a atravessa a ponte entre a data de hoje e o efetivo recebimento de recursos de alienações, suportando o plano de expansão ao final de 2020 e ao longo de 2021", conforme explicou a CFO Camille Faria.

Faria explica que a empresa em junho reportou uma dívida de R$ 42,1 bilhões em face value, e fair value de R$ 26,2 bilhões. Com os pagamentos previstos no plano, incluindo empréstimos ponte e R$ 9,3 bilhões de pré-pagamento a bancos e ICAs (agências de fomento) no início do ano. Assim, a dívida ficará em R$ 15,9 bilhões em valor de face, e R$ 9,1 bilhões em valor justo.

Questionamentos

A Oi não deverá enfrentar judicialização por parte dos bancos credores, com quem precisou negociar até a última hora para permitir a aprovação da proposta na AGC. Isso porque a assembleia é soberana para qualquer decisão do soerguimento. No entendimento do vice-presidente jurídico da Oi, Antonio Rabelo Filho, essa decisão soberana foi apenas para definir critérios econômicos, e os questionamentos sobre os direitos a voto já foram debatidos. "O fato de termos aprovado o plano com maioria qualificada, mais de dois terços, nos dá certeza do caminho da nossa proposta", afirma. 

Rodrigo Abreu ressaltou que o time da empresa não discriminou classes. "Uma das premissas foi trazer máximo de equidade, tentando privilegiar a sustentabilidade e equidade de tratamento aos credores. O time de gestão tem plena convicção naquilo que propôs. Estamos satisfeitos e até emocionados, porque foi um trabalho muito duro, com aprovação com números bastante expressivos, quase 70% da classe 3, que era de maior diversidade".

6 COMENTÁRIOS

  1. Depois de vendidas as quatro partes da Oi (o restante das antenas, os data centers, o DTH e a operação móvel), a venda do controle da InfraCo será o primeiro e decisivo passo para a devolução da concessão à União em 2025.

  2. Como advogado e investidor, tenho acompanhado o processo de recuperação da Oi e está indo muito bem. O que está acontecendo é uma pressão vendedora e muita manipulação por parte dos bancos e big players, fazendo com que as pessoas indecisas estão indo na onda.
    Logo que parar esta correria as ações começarão sua justa valorização. Se antes, com 65 bilhões de dívidas conseguiu se recuperar até agora, negociar e ficar com apenas 26 bilhões, obviamente atualmente vale muito mais. E agora ainda terá uma grande entrada com a venda dos ativos, para pagar as contas e investir na fibra ótica. O dinheiro que entrar não poderá ser desciado porque estará sendo judicialmente fiscalizado. Quem estiver falando o contrário é porque não entende de recuperação de empresas ou está querendo causar pânico para forçar quem tem ações a venderem barato. Fiquem espertos.

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