Brasil se mantém estável no ranking de uso de TICs da UIT

De acordo com o relatório "Medindo a Sociedade da Informação", divulgado nesta segunda, 7, pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), a cesta de serviços de telecomunicações brasileira ainda é mais cara do mundo. Esse pacote é formado por uma combinação de preços da telefonia fixa, banda larga fixa e telefonia móvel. Analisando apenas o preço da cesta de serviço brasileira de telefonia móvel – que inclui 30 chamadas on-net e off-net, mais cem SMSs –, sem a relativização pela renda, ela foi registrada como a mais cara do mundo, com o preço de US$ 60.

A cesta de banda larga, que compreende a assinatura mensal de um plano de entrada não inferior a 126 kbps com 1 GB de volume de tráfego, foi avaliada em US$ 17,81. E a cesta de telefonia fixa (assinatura básica mais 30 chamadas locais) foi avaliada em US$ 29,80.

Em relação aos preços dos serviços praticados no Brasil, o País ocupa a 93ª colocação quando a cesta de preços é relativizada pelo Produto Nacional Bruto Per Capita. No Brasil, 4% da renda do cidadão são comprometidos com os serviços de telecomunicações, sendo que o mercado com menor comprometimento é o de Macau (região da República Popular da China), onde os serviços de telecom consomem apenas 0,2% da renda dos cidadãos.

A metodologia usada pela UIT é questionada pelas teles porque ela considera o preço do plano básico homologado pela Anatel da operadora com mais market-share, ou seja, a Vivo. Acontece que, como argumentam as teles, na prática, um cliente pré-pago estará sempre dentro de alguma promoção como os planos por chamadas, altamente difundidos no Brasil. Assim, o brasileiro não paga efetivamente o preço do minuto homologado na agência. Outra distorção apontada pelas teles é o fato de a cesta de serviços considerar os preços com impostos.

Melhorou, mas ficou igual

No ranking de Índice de Desenvolvimento das Tecnologias de Informação e Comunição – TICs (IDI), o Brasil ocupa a 62ª posição entre 157 nações. O País manteve a mesma posição de 2011, no ranking que combina 11 indicadores que abrangem desde a parte da infraestrutura até questões relacionadas à escolaridade. O IDI, explica o chefe da assessoria internacional da Anatel, Jeferson Nacif, é uma espécie de IDH das telecomunicações.

O índice brasileiro passou de 4,59 para 5, o que deixou o País entre os dez mercados que tiveram maior variação, classificados pela UIT como os mais dinâmicos. Apesar de estar entre os que mais melhoraram o índice, essa melhora não foi suficiente para fazer com que o Brasil subisse no ranking.

Telefonia móvel

Um aspecto curioso do relatório é que os dados sobre acessos móveis que a entidade utilizou, pelo menos no caso do Brasil, não batem com os oficiais divulgados pela Anatel. A UIT afirma que a penetração de telefonia móvel pessoal (considerando somente acessos via handsets 2G e 3G) no País em 2012 era de 125,2 conexões para cada cem habitantes. No entanto, cruzando dados do IBGE de julho de 2012 com informações da base do setor divulgadas pela Anatel referentes ao mês de dezembro do ano passado, essa penetração era de 128,5%.

Em relação à banda larga móvel, a UIT diz que havia no Brasil em 2012 um total de 37,3 assinaturas para cada grupo de cem habitantes. Com os dados do IBGE e Anatel, entretanto, considerando a metodologia usada (a soma de acessos de handsets 3G com conexões de modems e tablets 3G), a penetração sobre para 30,52%, ainda aquém do divulgado pela entidade internacional. Contando somente com handsets 3G, esse percentual cai para 27,05%. Como o relatório avalia como banda larga móvel as velocidades de conexão de 256 kbps ou superior, não se considera nessa categoria os dispositivos com conexão 2G, nem mesmo com tecnologia EDGE.

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