Plataforma de recarga digital procura ajudar varejo em tempos de covid-19

Em tempos de restrição social devido ao coronavírus (covid-19), a expectativa do mercado é que as recargas do pré-pago possam sofrer impacto, mas há soluções que podem ajudar a mitigar eventuais perdas para as operadoras. A companhia italiana Engineering desenvolveu uma plataforma para conseguir capilaridade e maior controle do canal de recargas do que com intermediários (canal de rua), que além de dar maior visibilidade para a tele, ainda permite o recurso de revenda digital de créditos, o virtual voucher. O que justamente pode ajudar a cobrir o gargalo deixado por pontos de venda físicos fechados por conta da pandemia.

Conforme contou ao TELETIME o diretor de vendas de telco & media da Engineering, Róbson Guimarães, a solução veio para atender a uma necessidade do setor. "Depois que a operadora entra no varejo [por meio dos canais de rua], ela já não tem visibilidade do que acontece. Não tem como saber se em uma comunidade está havendo mais recarga do que outra, ou se a Av. Paulista vende mais que a Faria Lima", descreve. 

Essa falta de visibilidade acontece porque o canal é que tem de prover as informações sobre os padrões de compra. "Se você facilita a vida do canal, conseguir levar a informação para compreender melhor", diz. "É muito importante desintermediar a cadeia, pois tem vários níveis até chegar ao varejo, uma vez que se 'come' receita e perde informações no meio do caminho."

Batizada de wONE, a plataforma funciona na nuvem, composta por módulos e baseada em container, APIs, microsserviços e machine learning; e pode ser aplicada para outros tipos de empresas. "Por exemplo, um canal consegue vender chatbots para seus clientes. Se uma banca de rua quiser usar o chatbot, você consegue transferir", declara Guimarães, comparando com plataformas do varejo que fazem o intermédio entre pequenos e médios comerciantes. A solução permite também implantar recargas por meio de transferência eletrônica de dinheiro (TEF).

Efeitos da crise

Segundo o diretor de vendas, a ferramenta "pode ajudar" no momento de impacto do coronavírus, especialmente com o aumento da digitalização, mas a ideia é não encarar isso como oportunidade. "A Engineering é uma empresa italiana, e está querendo ajudar quem quiser que seja. Se puder ajuda a economia e o cliente a crescer. Todo mundo tem que crescer e se ajudar", afirma. A companhia tem outros produtos dedicados exclusivamente ao coronavírus, como ferramentas de monitoramento. 

O lançamento da wONE acontece neste momento porque a empresa conseguiu industrializar o produto, e não para uma operadora específica, diz Róbson Guimarães. Como é na nuvem, a plataforma funciona no esquema de software as a service (SaaS), então permite rápida aderência. "Tem tudo que precisa para uma operadora trabalhar em multicanalidade, para um intermediário próprio, para que algum meio digital queira trabalhar com isso."

De qualquer forma, a Engineering está funcionando a todo vapor durante a crise atual da covid-19. Segundo Guimarães, as contratações continuam. "Estamos trabalhando 12 horas por dia. Aproveito-se a janela para dar mais espaço para projetos de digitalização, assim vamos sair da pandemia com o mercado melhor", opina. Para ele, as empresas que não estavam promovendo a transformação digital vão acabar se nivelando com as demais. "Muito pela necessidade, que justificou a estratégia já estabelecida", avalia. 

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