Crise do Opportunity está precificada, dizem analistas

O agravamento da crise envolvendo o Opportunity não parece mais estar contando na avaliação que o mercado faz da Brasil Telecom, principal empresa controlada pelo grupo. O que pesou mais, nesta quarta, 3, sobre as cotações dos papéis da empresa foram as expectativas (positivas) de resultados trimestrais da companhia. Tanto que suas ações tiveram desempenho acima da média no pregão: as ações preferenciais, tanto da holding quanto da operadora subiram quase 4,5%. A crise, dizem os profissionais, está mais do que embutida nos preços.
E, por crise, entende-se não somente a disputa direta entre o Opportunity, de Daniel Dantas, a Telecom Italia e fundos de pensão. Mas também (e principalmente) a não renovação do contrato de gestão de recursos do Citibank confiados ao Opportunity, que vence no ano que vem. Vale lembrar que o Opportunity é o gestor do fundo CVC/Opportunity Equity Partners L.P., que está no controle da Brasil Telecom, da Telemig Celular e da Amazônia Celular. A maior parte dos recursos que o Citi investiu oficialmente nas empresas privatizadas no Brasil veio por meio do CVC, cujo contrato de gestão vence em 2005 e poderia ser renovado até 2007. ?Eles (o Opportunity) reuniram muitos inimigos contra si?, resume uma fonte bem situada no Planalto ao TELETIME News, lembrando que também antigos aliados tucanos (dos tempos da privatização do Sistema Telebrás) já não os defendem.

Bom ativo

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O certo entre analistas é que com ou sem o Opportunity, a Brasil Telecom já é vista como um ativo relativamente barato e promissor.
Na hipótese de o Opportunity sair da administração da Brasil Telecom, dizem os analistas, não faltariam interessados na aquisição do controle. A começar pela própria Telecom Italia, que poderia fazer a integração com sua operação móvel, com a mesma tecnologia GSM. Neste caso, teria apenas que devolver algumas das licenças em áreas comuns à TIM e à BrT. Não se descarta ainda a hipótese de uma investida da Telmex, mesmo com complicações em sobreposições com a Embratel e Claro.
Na hipótese de Daniel Dantas conseguir se manter na posição atual apesar de todas as adversidades, prevaleceria, segundo analistas, a leitura de um cenário de integração da Brasil Telecom com as duas operadoras também controladas pelo Opportunity (Telemig Celular e Tele Amazônia), fortificando as possibilidades de crescimento do grupo. No que diz respeito à saída do Citibank, a BrT pode recomprar as ações equivalentes aos recursos aplicados pelo banco, mantendo-as em tesouraria, especula-se. Isso, em tese, poderia garantir a permanência do Opportunity no controle.

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