SES prepara lançamento dos últimos quatro satélites MEO da O3b

No início da tarde da quinta-feira, 4, o foguete Soyuz, da Arianespace, decolará da base Guiane Space Center, na Guiana Francesa, levando ao espaço os quatro últimos satélites da constelação de órbita média (MEO) da O3b. Com isso, a frota completa passará de 16 a 20 artefatos, número bem além dos seis originalmente necessários para a cobertura global a 45º de latitude pretendida no primeiro lançamento, em junho de 2013. Segundo o diretor regional para o Brasil e Cone Sul da SES, Sandro Barros, a intenção da expansão é justamente atender ao aumento da demanda – especificamente no País, com a expectativa de fornecer capacidade para backhaul de redes móveis e aplicações off-shore.

Os quatro artefatos ficarão em uma órbita de aproximadamente 8 mil km de altitude, fornecendo capacidade em banda Ka. Além da América Latina, a constelação atende a quase 50 países. "Tudo que a gente colocou além dos seis iniciais, chegando agora até 20 satélites, é para ter mais capacidade, maior throughput de dados na região", disse ele a este noticiário. "O lançamento de amanhã é o quinto da O3b. Tem mais fibra no céu chegando", declara, comparando a característica de ampla largura de banda e baixa latência dos satélites MEO com a infraestrutura ótica terrestre. Segundo o executivo, trata-se também de reduzir a desigualdade digital, procurando levar conexão a regiões remotas com "qualidade de centros urbanos". 

Barros diz que a demanda na América Latina, em geral, é no entrocamento de cidades, além de backhaul de celular e na parte marítima. No caso do Brasil, a companhia utiliza os satélites para levar capacidade à rede 4G no Norte, Nordeste e mesmo no Sudeste. Especialmente nas localidades no Norte, o impacto é logo sentido. "As pessoas nessas áreas não tinham computador, mas tinham smartphone. Quando ligamos a rede móvel, o tráfego cresceu de forma brutal e contínua", afirma. Nos últimos 12 meses, o tráfego aumentou em três dígitos "na maioria das cidades" na região.

No caso do atendimento off-shore, Barros destaca que embarcações têm aumentado a demanda por alto throughput e baixa latência, particularmente para aplicações em cloud. Mas também há a previsão de crescimento em Internet das Coisas e aplicações governamentais que demandem baixa latência em áreas remotas. "Hoje atendemos no Brasil tanto operadoras móveis quanto prestadoras de serviço, como empresas de energia", diz.

Para o aumento da capacidade, a SES deverá expandir a infraestrutura terrestre também. Sandro Barros diz que haverá implantação de novos sites, enquanto em alguns casos, será apenas expansão. Em outros, nada precisará ser feito, uma vez que a empresa contará com os equipamentos e centros existentes. 

O lançamento dos últimos quatro satélites determina o "fechamento de um ciclo" para a operadora satelital, mas que em breve será complementado por outra frota MEO, menor e mais potente, o O3b mPower. Anunciado em 2017, o novo sistema contará com sete satélites e deverá ser lançado em 2021 pretende entregar serviços de mobilidade dinâmica, dados fixos e e-gov. "Serão mais de cinco mil beams e mais de 1 Tbps de capacidade. Eles vão ter mais de dez vezes a capacidade de hoje, e esperamos que possamos atender aplicações 5G, que deve ser lançado por volta dessa época na região", declara o diretor da SES. De acordo com o executivo, todos os novos satélites já estão pagos. "Somos a única empresa que tem novas constelações totalmente financiadas", diz.

Barros chama atenção ainda para os projetos da concorrência, que ainda não foram iniciados. "As novas constelações que estão sendo apresentadas demandam várias centenas, ou mesmo milhares de satélites. Nós só precisamos lançar mais sete na mesma órbita que a gente já faz", compara. Enquanto outras empresas ainda estão planejando lançar, já estamos operando com isso desde 2013 e chegando a um quinto lançamento." A SES também tem artefatos em constelação GEO, o que o executivo encara como um diferencial competitivo. "Combinados com a estrutura de teleportos e a capacidade de fornecer soluções integradas, cria um diferencial", conclui.

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