Operadora de satélites OneWeb estaria prestes a pedir recuperação judicial

Constelação de satélites LEO da OneWeb. Foto: Reprodução

Apesar ter promovido recentes lançamentos de satélite de baixa órbita (LEO), a operadora OneWeb estaria prestes a pedir para entrar em recuperação judicial após não conseguir financiamento novo de seus investidores, incluindo do grupo japonês SoftBank. A informação é do jornal Financial Times e foi divulgada nesta sexta-feira, 27, citando fontes "familiares à situação".

Segundo o FT, a companhia poderia decretar a RJ (o mecanismo Chapter 11, nos Estados Unidos) ainda nesta sexta-feira. A informação é de que isso também estaria pondo em risco o emprego de mais de 500 funcionários. 

A OneWeb estaria esperando levantar pelo menos US$ 2 bilhões em capital novo, mas a crise do coronavírus acabou mudando os planos dos mercados financeiros. Dessa forma, a empresa e a SoftBank não chegaram a um acordo para uma potencial dívida ponte (bridge loan) para dar mais tempo à operadora satelital na busca por novos investidores. Essa conversa teria sido encerrada ainda no último sábado, quando a empresa estava prestes a lançar mais de 30 microssatélites a partir do centro de lançamento do Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão. A previsão é de que a empresa chegaria a 650 desses satélites LEO. 

Até então, a OneWeb já havia levantado US$ 3,4 bilhões entre empresas como Airbus, Virgin, Qualcomm, Barthi Enterprises e Grupo Salinas. Também recentemente, a empresa assinou contrato de distribuição global com a operadora satelital Hughes, que também é investidora por meio da controladora Echostar. Caso entre em RJ, diz a Financial Times, seria uma das maiores baixas do mercado causadas pelo coronavírus.

Ainda de acordo com a publicação, a produção dos satélites, feita em uma fábrica na Flórida, EUA, estaria sob risco. Até mesmo a manutenção dos 70 satélites já em órbita poderia ter problemas – caso os artefatos deixem de funcionar, a empresa pode perder as licenças de órbita. "No entanto, a constelação é pequena demais para ser oferecida a serviços de telecom ou gerar receitas, e o valor potencial de seu espectro adquirente não é claro", diz o Financial Times.

Softbank

O próprio grupo japonês Softbank passa por dificuldades de gerir uma dívida de US$ 55 bilhões, além de ter que combater as fortes quedas nas ações com o colapso do mercado após o coronavírus. O FT diz que há planos para a empresa fechar capital e vender US$ 41 bilhões em ativos para um programa de recompra de ações, visando amortizar a dívida.

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