Telecom Italia mantém meta de dívida e descarta venda da TIM Brasil

Os dados consolidados do primeiro semestre de 2013 da Telecom Italia, holding que controla a TIM no Brasil, refletiram o que o chairman do grupo, Franco Bernabè, classificou como uma piora do cenário macroeconômico com redução do ritmo de crescimento do PIBs da Itália e do Brasil e, especificamente no mercado doméstico da holding, impacto regulatório com mudanças nas tarifas de atacado das redes de acesso e de roaming, além de uma guerra de preços no mercado móvel italiano. As receitas do grupo caíram 7% no semestre em relação ao acumulado dos seis primeiros meses de 2012, para 13,8 bilhões de euros; o EBITDA despencou 10,6% no período, para 5,2 bilhões, e o lucro operacional foi de apenas 353 milhões de euros, 89% menor que os 3,2 bilhões de euros um ano antes. A Telecom Italia amargou no acumulado de 2013 um prejuízo líquido de 1,2 bilhão de euros, resultado sensivelmente inferior ao lucro líquido de 1,5 bilhão em igual intervalo do ano passado.

"Por conta da competição no mercado doméstico e reajuste nos preços regulados para acesso no atacado nas redes de cobre, revisamos nossos guidances, as receitas do grupo para 2013 estão confirmadas em estáveis na comparação anual, mas estimamos um declínio revisado de um dígito médio no EBITDA (era de um dígito baixo)", explica Bernabè. O EBITDA da operação doméstica também foi revisado para baixo: deve sofrer redução "de um dígito alto"; antes a previsão era de um dígito médio.

Para a dívida líquida, no entanto, a holding mantém a previsão de ser menor do que 27 bi de euros. "Com geração de caixa e ajustes adicionais nas operações, devemos conseguir manter a relação divida líquida ajustada/EBITDA em cerca de 2,4x, sem precisar fazer aumento de capital ou vender a operação brasileira", garantiu Bernabè. A dívida líquida do grupo encerrou junho em 28,813 bilhões de euros e o que se especulava no mercado era que as agências de rating poderiam rebaixar as notas da empresa caso não conseguisse baixar seu endividamento e, por isso, saídas possíveis para a companhia seriam aumento de capital ou a venda da TIM Brasil para gerar caixa.

O plano de ajustes, segundo detalhou o CFO da Telecom Italia, Piergiorgio Peluso, inclui postergar para 2014 o pagamento da multa de 104 milhões que a operadora recebeu do órgão antitruste italiano por abuso de posição dominante no mercado, venda de ativos não estratégicos (como ativos de broadcast da TI Media), acordos de compartilhamento de infraestrutura passiva na Itália (como já acontece no Brasil) e otimização dos gastos no Brasil e na Argentina, incluído a renegociação com fornecedores no Brasil para melhorar termos de pagamentos de handsets. Assim, pelas contas do CFO, a operação doméstica deve contribuir para redução da dívida líquida em 450 milhões de euros; o Brasil, com 280 milhões de euros; e a Argentina, com 80 milhões de euros.

Outra aposta para recuperar e estabilizar o EBITDA no mercado doméstico é a execução do plano de fibra. "Consumidores estão dispostos a pagar por ultra banda larga e a melhor maneira para executar o plano é a separação da rede (de acesso em outra empresa), suportada por mudanças regulatórias que abrirão possibilidade de contribuição financeira de um parceiro minoritário", explica o chairman.

Durante a conferência de resultados, Bernabè foi categórico sobre a importância da operação brasileira, descartou a necessidade de venda da TIM, mas preferiu não prolongar o assunto. Perguntado se venderia a TIM Brasil se recebesse uma boa proposta, o chairman se limitou a dizer: "Tudo tem um preço. Estou aberto a considerar qualquer coisa pelo preço certo, mas reitero que o Brasil é um ativo-chave para nós".

Guerra em casa

A maior parte das receitas de 13,76 bilhões de euros e do EBITDA de 5,4 bilhões de euros do grupo no consolidado dos seis meses de 2013, no entanto, ainda vêm do mercado doméstico, com participações de 59% e 74%, respectivamente. Brasil respondeu por cerca de 26% das receitas (3,62 bilhões de euros) e 17% do EBITDA (919 milhões de euros); enquanto a Argentina originou 14% das receitas (1,89 bilhão de euros) e 10% do EBITDA (537 milhões de euros).

Assim, mesmo com Brasil e Argentina tendo aumento na receita (de 1,7% e 2,5%, respectivamente) e no EBITDA (de 0,4% e 1,3%) na comparação anual, o desempenho não foi suficiente para cobrir as quedas de 2,7% na receita (-375 milhões de euros) e de 6,8% no EBITDA (-391 milhões de euros) na Itália.

O responsável pela operação doméstica do grupo, Marco Patuano, destacou a competição acirrada com guerra de preços no mercado móvel italiano como a principal causa na piora no desempenho.

"Não concordamos com a briga por preço, mas também não vamos ficar parados olhando nossos clientes irem embora. Essa guerra de preços destrói o valor do mercado, mas não pretendemos deixar nenhuma comida de graça em cima da mesa", enfatizou. O executivo afirmou que a operadora tem fôlego suficiente para continuar na guerra de preços o tempo que for necessário. "Estou disposto a ser racional assim que o mercado for racional. Essa guerra não se sustenta porque impede que alguns (operadores) façam investimentos em redes de próxima geração móvel. A banda larga móvel é importante e a penetração de smartphones ainda é baixa. Nós, que estamos bem no mercad,o temos uma penetração de apenas 28% de smartphones em nossa base e, mesmo no mercado corporativo, onde a media é maior, ainda temos uma penetração da ordem de 50%", detalha Patuano.

Bernabè acredita que o ticket médio de 10 euros para serviços móveis está muito baixo e que no curto e médio prazos essa competição levará à consolidação do mercado na Itália de quatro competidores para três players com infraestrutura de rede. "É exatamente essa guerra de preços que vai acelerar o processo de consolidação", garante. No Brasil, por outro lado, Bernabè não vê um cenário de consolidação no médio prazo. "O Brasil não é um país, é um continente. Obviamente, muito investimento ainda precisa ser feito, mas há muito ainda o que crescer em penetração de serviços e o mercado abriga tranquilamente os quatro grande competidores".

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