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Satélite
Satélite da Telebras terá foco em soluções para governo, diz Bittar
sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2016 , 21h33

O projeto do Satélite Brasileiro de Defesa e Comunicação (SGDC), a ser operado pela Telebras, entra este ano em sua reta final, à espera do lançamento já programado para a janela entre dezembro deste ano e fevereiro de 2017. Algumas definições sobre a estratégia comercial do satélite ainda estão sendo fechadas, mas uma coisa já parece clara: ele não será um satélite para alavancar o Plano Nacional de Banda Larga nem o Banda Larga para Todos na forma como os programas estão concebidos. O satélite terá sim o propósito de atender a políticas públicas, mas dentro de uma nova concepção, focada em serviços, e não apenas em conectividade. Jorge Bittar, presidente da Telebras, reconhece que o satélite, com sua capacidade de 54 Gbps em banda Ka, é insuficiente para levar banda larga a todo cidadão desconectado ou mesmo para atender a toda a demanda de provedores de acesso. "O foco do satélite será para atender projetos de governo, que estamos desenvolvendo em conjunto com os diversos órgãos. Projetos de educação, saúde, serviços ao cidadão…", explica Bittar. O que a Telebras quer é que o satélite seja parte de uma solução mais ampla de serviços de telecomunicações e TI. O projeto mais adiantado é na área de educação. "A Telebras quer levar banda larga às 30 mil escolas rurais hoje desconectadas. Uma boa parte delas precisará de cobertura via satélite para ser atendida. Mas não é só o satélite: tem que levar WiFi, conteúdo, aplicações, tudo ao mesmo tempo", diz Bittar.

Questionado se essa atuação não foge do escopo original do Plano Nacional de Banda Larga definido pelo Decreto 7.175/2010, Bittar reconhece que podem ser necessárias novas definições de políticas públicas. Recentemente o ministro das Comunicações André Figueiredo disse que o governo pretende lançar, em março, uma segunda versão do Plano Nacional de Banda Larga com meta de atender metade das escolas rurais com 80 Mbps e que deve contra com recursos do FNDE (Fundo Nacional da Educação).

Bittar explica que o SGDC não está, com esta estratégia, se afastando de seu propósito original de servir de backhaul a provedores regionais (ISPs), mas no planejamento atual da Telebras esse serviço ocupará apenas uma pequena parte da capacidade do satélite, já que hoje o mercado de ISPs está sendo melhor atendido com fibra e outras tecnologias terrestres. "Hoje nÃo falta capacidade para ISPs. Mas teremos alguma capacidade reservada para backhaul em cidades onde não existam outras alternativas", diz o presidente da estatal.

Segundo Bittar, a variação cambial influenciou bastante nos custos do satélite, o que afeta o retorno do investimento, e por isso a Telebras está buscando agregar valor ao projeto, e não ser apenas um provedor de conectividade. "Como eu sempre digo, nós precisamos ser o OTT do governo", diz o presidente da empresa. O que está descartado é a possibilidade de uso do SGDC para acesso ao consumidor final, como forma de compensar um eventual desinteresse das teles no Banda Larga para Todos, programa ainda em elaboração que prevê a massificação do acesso a 95% da população e elevação da velocidade média da Internet a 25 Mbps. Segundo Bittar, existem estudos para um segundo satélite e hoje as configurações possíveis já permitem equipamentos de capacidade maior, da ordem de 400 Gbps, mas a execução desse plano de um segundo satélite depende do sucesso do primeiro SGDC.

Hoje o projeto do satélite da Telebras passa por etapas críticas: na Europa estão sendo realizados os testes físicos com o satélite já já montado (vibração, pressão, interferêcias etc). No Brasil, estão sendo construídos os centros de controle e operação (Brasília, Rio e um backup em Salvador) e treinada a equipe de operação. E ainda precisa ser finalizada a contratação dos fornecedores que farão a instalação dos gateways (centros de processamento do tráfego de Internet, a serem instalados em Brasília, Rio, Florianópolis e Campo Grande). Gilat, Advantec e EMS estão na lista final de concorrentes e a previsão é fechar esse processo em março. Os investimentos dependerão dos valores finais. O projeto total do satélite da Telebras , que terá parte de sua capacidade usada pelas Forças Armadas, já supera os R$ 1,2 bilhão.

Mercado competitivo

A sinalização de um novo foco para o SGDC pela Telebras pode ter uma razão comercial. O mercado brasileiro de banda larga via satélite com banda Ka promete ficar muito disputado. Hoje, o país já é atendido por alguma capacidade em banda Ka dos satélites Amazonas 3 e Eutelsat 8W, que tinham capacidade limitada e foco no mercado residencial, mas cujos parceiros acabaram patinando nesses projetos. A Inmarsat também tem capacidade em banda Ka, mas está focada em serviços marítimos e comunicações embarcadas. Para os próximos dois anos, contudo, estão previstos ainda lançamentos de satélites com capacidade em banda Ka para banda larga do Eutelsat 65W, StarOne D1, Amazonas 5, SES 14, Telesat e Yahsat 3. Um serviço residencial será lançado no meio deste ano pela Hughes (usando capacidade do Eutelsat 65). A Hughes é a maior operadora de banda larga via satélite para o consumidor final do mundo. Isso tudo sem falar na O3b, que oferece capacidade em banda Ka por meio de satélites de órbita média.

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