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CES 2018 / Conteúdo
Para programadores, modelo de venda direta de conteúdo abre novas possibilidades
terça-feira, 09 de Janeiro de 2018 , 21h25

A principal mudança no mercado de TV por assinatura em sua fase não-linear, pelo menos do ponto de vista dos programadores, é a possibilidade de passar a oferecer o serviço diretamente ao consumidor. Se há alguns anos havia uma certa relutância dos programadores em relação a seguir este caminho, agora a estratégia parece muito mais consolidada. Todo programador terá uma oferta direta ao consumidor. Pelo menos esta é a mensagem que fica de um dos debates com programadores durante a CES 2018, evento organizado pela Consumer Technology Association (CTA) esta semana, em Las Vegas.
Existem vários argumentos em relação a esta estratégia: primeiro, os operadores de TV paga (pelo menos nos EUA) estão integrando Netflix em suas ofertas, o que abre o caminho para as programadoras tradicionais copiarem o mesmo modelo; depois, os preços dos serviços de TV por assinatura nos EUA cresceram muito nos EUA, o que tem limitado o crescimento da base; e os programadores acreditam que ter informações mais precisas sobre a audiência de sues conteúdos passou a ser determinante em um ambiente em que Amazon e Netflix competem tendo essas ferramentas de bigdata em mãos. Como as operadoras nunca abriram estes dados, o modelo B2C (business to consumer) passou a ser quase um imperativo para os programadores. Colocadas estas variáveis na balança, cada vez mais programadores desenvolvem plataformas próprias de distribuição direta, independente dos operadores tradicionais.
Para Russell Schwartz, SVP de programação original da Starz, o modelo D2C (direct to customer) "tem tido muito sucesso e isso é bom, porque agora conseguimos mais dados sobre os nossos espectadores, o que os MVPDs sempre negaram. Para nós não é uma opção. Tem que fazer", disse. Recentemente a Starz se envolveu em uma polêmica com a operadora Altice, que opera em várias cidades, incluindo Nova York. No final de 2017 a Altice encerrou o contrato de distribuição da Starz e em comunicado oficial recomendou aos seus assinantes que contratassem os canais da programadoras diretamente pela Internet, porque os valores seriam mais baratos do que os que estavam sendo negociados para a distribuição pela operadora.
Para Jennifer Mirgorod, EVP of Content Distribution and Strategy da Turner, o argumento de ter acesso direto aos dados de audiência e modelos de consumo de conteúdo é forte e tem feito muitas programadoras partirem para o modelo D2C.
Eric Berger, chief digital officer da Sony Pictures e general manager do serviço Crackle, existe um desafio adicional para os programadores que e criar uma estrutura de relacionamento com o consumidor e gerir a cobrança dos serviços, além do desenvolvimento tecnológico das plataformas OTT, o que não é trivial, mas existem oportunidades. Ele compra a experiência do serviço Crackle na América Latina, onde a Sony tem presença com canais próprios, e nos EUA, onde essa distribuição direta não acontece. Segundo ele, no caso da América Latina foi necessário ter mais cuidado em posicionar o produto de forma a não ferir as parcerias com os provedores tradicionais.
Para Alex Wallace, VP de OTT e distribuição da Oath (braço de conteúdo da Verizon após a compra da AOL), "D2C é algo que vai acontecer cada vez mais. Não se pode obrigar as pessoas a assistirem o que não querem. Mas acho que o modelo de D2C virá acompanhado de um rebundle", diz ela. A executiva lembra que existe uma mudança importante a caminho em termos de interface de usuário que é a chegada das plataformas de assitência pessoal (Amazon/Alexa, Google Assistant, Apple/Siri, Samsung/Bixxy etc). "A assistência de voz deve ajudar muito e mudar muito o mercado de TV porque nos permitirá uma nova forma de interação", prevê.

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Principal encontro independente de debate e reflexão sobre políticas setoriais dos setores de telecomunicações e Internet. Organizado há 17 edições pela TELETIME e pelo Centro de Estudos de Políticas de Comunicações da Universidade de Brasília (CCOM/UnB), o evento congrega reguladores, formuladores de políticas, acadêmicos, empresas e analistas para um debate aberto sobre os temas mais relevantes e que serão referência ao longo do ano. Em 2018, estão em discussão uma agenda possível para o setor, o impacto do cenário eleitoral sobre as telecomunicações, a atuação  do Congresso Nacional sobre as políticas do setor de telecomunicações e Internet e as referências regulatórias internacionais.

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