Nokia tem queda de receita e promove mudança com foco total em 5G

A Nokia apresentou crescimento no lucro no terceiro trimestre deste ano, conforme apresentou em balanço financeiro divulgado nesta quinta-feira, 29. Mas a receita voltou a cair, e a previsão para o ano que vem não é exatamente positiva. Por isso, a empresa vai promover uma transformação com foco total de investimentos no 5G, além do OpenRAN.

Em comunicado, o presidente e CEO da fornecedora finlandesa, Pekka Lundmark, afirmou que o progresso feito "não é suficiente". A queixa se deve a uma perda de mercado nos Estados Unidos (onde a receita da empresa caiu no trimestre, agora representando o segundo maior mercado para a fornecedora), o que resultou em pressão das margens. "Nosso desempenho financeiro em 2021 deverá ser desafiador, e mais mudanças são necessárias", declara. 

Lundmark também afirma que precisará aumentar investimentos em pesquisa e desenvolvimento em 5G. "De fato, decidimos investir o que for necessário para ganhar no 5G. Nossos clientes estão contando conosco e nós estaremos aqui para eles", afirmou o executivo. 

Para tanto, a companhia anunciou também que promoverá mudanças no modelo operacional. A ideia é migrar do princípio estratégico de operação fim a fim para uma "abordagem mais focada com cada grupo de negócios tendo um papel distinto em nossa estratégia abrangente". Com isso, a Nokia espera melhorar a responsabilidade e transparência, aumentando a simplificação e a eficiência de custos. Mais detalhes sobre a mudança serão divulgados em dezembro e em março de 2021.

OpenRAN

A Nokia vê com a mesma importância o que acredita ser uma oportunidade para liderança: o modelo de rede como serviço, possível com as redes de acesso abertas (OpenRAN) e virtualizadas. "Esta visão vai levar tempo para virar uma realidade, mas a Nokia está bem posicionada para ganhar dada a nossa experiência profunda em entregar desempenho de rede para nível de operadoras e trabalho extensivo com companhias e empresas digitais", afirma. 

Vale lembrar que o governo dos Estados Unidos assumiu publicamente compromisso de investir nas tecnologias OpenRAN para tentar brigar com a chinesa Huawei no mercado de infraestrutura de telecomunicações. Porém, o posicionamento norte-americano tem objetivo também de eles próprios serem líderes.

Resultado

A receita da companhia foi de 5,294 bilhões de euros, uma queda de 7% no comparativo anual. No acumulado de três trimestres, foi uma queda igual, mas com total de 15,299 bilhões de euros. A maior parte vem da área de redes, que também teve o mesmo percentual de redução no trimestre e no acumulado, ficando co respectivamente 4,112 bilhões de euros e 11,825 bilhões de euros respectivamente. 

Exceto Europa (o maior mercado, com 1,685 bilhão de euros e avanço de 4%)  e Oriente Médio/África, todas as regiões apresentaram queda para a Nokia no trimestre. Na América do Norte, a companhia caiu 3% e encerrou setembro com 1,651 bilhão de euros, perdendo o posto de maior mercado para a fornecedora. No acumulado do ano, a redução foi de 1%, total de 4,830 bilhões de euros.

Em particular, a América Latina foi a que caiu mais: 35%, somando 223 milhões de euros. No acumulado do ano, foram 720 milhões, redução de 28%. 

O lucro da empresa (não IFRS) foi de 305 milhões de euros, um aumento de 14%. De janeiro a setembro, foi de 653 milhões de euros, avanço de 60%. O lucro bruto ficou estável no terceiro trimestre, somando 1,976 bilhão de euros. Considerando o período de nove meses, houve avanço de 3%, total de 5,760 bilhões de euros. 

Já o lucro operacional aumentou 33% nos três meses, ficando em 350 milhões de euros. O acumulado observou uma reversão do prejuízo operacional do ano anterior, encerrando setembro deste ano com 444 milhões de euros positivos. 

Vale notar que a área de redes mais do que dobrou o lucro operacional entre julho e setembro, ficando com 263 milhões de euros. Também foi responsável por um resultado positivo de 431 milhões de euros na soma dos três trimestres, contra um prejuízo de 7 milhões de euros em igual período de 2019. Mas a área de software mostrou queda de 44% no trimestre e de 14% no acumulado, somando 87 milhões de euros e 246 milhões de euros, respectivamente. 

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