Agricultura e CNA se movimentam por conectividade via satélite no campo

O uso de conectividade via satélite para cobertura de áreas não atendidas do campo é uma das prioridades nos planos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Em debate realizado durante o Painel Telebrasil 2020, o diretor de inovação e conectividade do Ministério da Agricultura, Cléber Soares, destacou o uso de satélites como um dos quatro pilares de um estudo feito pela pasta sobre o gargalo de conectividade em território agrícola.

Segundo ele, já foi formulada uma proposta da Agricultura ao Ministério das Comunicações (Minicom) para provimento de capacidade satelital em pilotos no campo. Questionado, Soares pontuou que a iniciativa "também" envolveria o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações (SGDC) da Telebras, mas evitou entrar em detalhes sobre prestadores de serviços. 

Já a CNA realizou provas de conceitos com três fornecedores satelitais: Telebras, HughesNet e RuralWeb. Os testes foram realizados em propriedades de diferentes culturas dentro de sete cidades da Bahia, Minas Gerais e Mato Grosso. Segundo o coordenador técnico do Instituto CNA, Joaci Medeiros, vários usos básicos para o segmento como emissão de notas fiscais eletrônicas se mostraram viáveis por meio da tecnologia.

Usando informações do Censo Agropecuário 2017, a CNA recorda que 72% da propriedades rurais brasileiras (ou cerca de 3,643 milhões) estariam fora da área de cobertura das empresas de telecom. Isso significaria 196 milhões de hectares, sobretudo pulverizados em propriedades de menor porte. 

Infraestrutura

Do ponto de vista da CNA, a habilitação de cobertura satelital em toda a área fora da zona de cobertura custaria cerca de R$ 7,3 bilhões apenas para implementações, desconsiderando os custos mensais. Neste sentido, a necessidade de cobertura terrestre também é considerada essencial.

O tema está no roteiro do estudo do Ministério da Agricultura. Segundo a pasta, apenas 23% do território agrícola brasileira tem "algum tipo" de cobertura móvel. Para ampliar a disponibilidade em 25 pontos percentuais (para quase 50%), a pasta estima que pelo menos 4,4 mil novas antenas seriam necessárias.

Já para um incremento de 50 pontos percentuais (atingindo assim 75% de território agrícola coberto), 15,2 mil de antenas seriam exigidas. O Ministério da Agricultura também é entusiasta do uso de white spaces por provedores regionais.

Fust

Outro ponto citado pelo setor do agronegócio foi o apoio da pasta ao PL 172, que prevê a destinação efetiva do Fust para projetos de infraestrutura. No Senado, o texto contaria com apoio da banda do setor, que deseja a prioridade de áreas rurais como destino de investimentos.

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