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Operadoras de satélites miram LEO e consolidação, mas sem esquecer vídeo

Foto: Rudy Trindade / Themapress

Duas das maiores tendências da cadeia global de satélites, a consolidação de mercado e o investimento em constelações de baixa órbita (LEO) estão guiando estratégias de algumas das principais empresas do setor – ainda que a tradicional vertical de vídeo também não seja deixada de lado por importantes players da cadeia.

O cenário foi discutido durante painel de líderes realizado no último dia do Congresso Latinoamericano de Satélites, promovido pela Glasberg Comunicações e TELETIME no Rio de Janeiro nesta quinta-feira, 28. Entre os temas em debate esteve a conclusão da fusão entre a Eutelsat e a constelação de baixa órbita (LEO) OneWeb, anunciada também nesta quarta.

Diretor geral da Eutelsat do Brasil, Rodrigo Campos classificou o negócio como a gênese do primeiro grupo a combinar efetivamente a órbita geoestacionária (GEO) de satélites com serviços LEO, com impacto inclusive na vertical de vídeo. Dessa forma, a empresa espera impacto significativo em ofertas ao setor corporativo – que hoje estaria usando a baixa órbita de forma que não seria a ideal, segundo Campos.

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A avaliação parte do uso – muitas vezes de forma autônoma – de solução de conectividade da Starlink por clientes B2B. Para o executivo da Eutelsat, deficiências não compatíveis com o nível de serviço exigido no mercado corporativo já estão sendo constatadas, como a possibilidade contratual da rede LEO ser suspensa, existência de franquias e falta de suporte local (ainda que a empresa de Elon Musk também atue através de integradoras).

A competição com a Starlink também foi abordada pelo presidente da Hughes no Brasil, Rafael Guimarães – que tem a empresa como rival no mercado de banda larga ao consumidor final. Assim como entende a Viasat, porém, o executivo vê a constelação como fator que deveria preocupar mais os provedores regionais de Internet do que a Hughes, visto o público final de áreas remotas mirado com o produto HughesNet.

Mesmo assim, a empresa também está se fortalecendo globalmente através da consolidação de mercado, visto que sua controladora – a EchoStar – está em processo de fusão com a operadora móvel Dish nos Estados Unidos. Eventual impacto do negócio no Brasil deve ocorrer apenas em médio prazo, mas lá fora uma série de oportunidades já são vislumbradas, relata Guimarães.

Uma delas é a combinação de redes satelitais e terrestres, incrementando ofertas de banda larga da Hughes com espectro de 4G – o que permitiria abordagem inclusive para redes privativas. A capacidade espectral da Dish também deve contribuir com os planos da satelital de construir uma constelação para Internet das Coisas, com a operadora móvel servindo inclusive como cliente âncora do projeto LEO, batizado como Lyra.

Vale lembrar que a Hughes ainda é investidora e parceira da OneWeb, agora integrada à Eutelsat, além de projetar para dezembro o início da operação de seu satélite Jupiter-3, lançado em julho.

Vídeo

A vantagem de atuar como uma operadora consolidada foi apontada pelo diretor executivo da Embratel, Gustavo Silbert – dado que a empresa faz parte do mesmo grupo que a Claro. “Um ponto fundamental é a integração dos serviços”, apontou o executivo, destacando a abordagem da Embratel de oferecer pacotes de soluções digitais e de TI, além da conectividade. 

O mercado de vídeo, contudo, segue como elemento essencial. “Os radiodifusores são e continuarão por muito tempo sendo o nosso principal mercado”, apontou Silbert. Na vertical, um grande projeto em curso é a migração da TV aberta em banda C para a banda Ku: a empresa reporta 100 canais carregados na nova faixa, no satélite Star One D2. Segundo estimativa de Silbert, quatro milhões de consumidores já consomem radiodifusão a partir do modelo. 

A TV vai seguir relevante por muitos anos, nesse modelo híbrido de TV, smart TV com Internet e satélite, o que será fundamental para a entrega de novas tecnologias”, apontou Silbert. Aspecto similar fora apontado pela SES no dia anterior do Congresso Latinoamericano de Satélites: ainda que em declínio, o segmento de vídeo segue como o mais relevante em receitas, margem e caixa para o grupo – que vê a oferta de serviços complementares como forma de adaptação, segundo o VP de vendas América Latina da SES, Jurandir Pitsch.

Outra empresa que segue apostando na vertical é a Hispasat, dona da operadora Hispamar. “Seguimos muito forte na área de vídeo e adquirimos ativos de mídia da Telefónica no Peru”, relembrou o chairman da Hispamar, Clóvis Baptista. A empresa também lançou recentemente uma plataforma para soluções de streaming em formato OTT pelo segmento satelital, em formato white label.

Já na conectividade, a empresa lançou neste ano o satélite Amazonas Nexus, que segundo Baptista estaria com praticamente toda capacidade comercializada (inclusive para os governos dos Estados Unidos e da Groenlândia). O executivo relata que a Hispamar segue confiante na vertical de satélites GEO, tendo inclusive outros satélites em preparação com novos recursos tecnológicos.

Considerado inevitável e desejável, o cenário de convivência das múltiplas órbitas também foi comemorado pelo vice-presidente da Gilat para América Latina, Tobias Dezordi. “Em futuro não muito próximo o mercado vai entender que tem que integrar GEO, MEO e LEO, e nós estamos prontos para todas as tecnologias”, avalia a empresa de soluções para satélites e redes terrestres. 

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