Leilões arrecadatórios fazem Brasil ter o maior custo de espectro no mundo, diz Ericsson

Durante a live TELETIME Tec nesta segunda-feira, 22, o presidente da Ericsson Latam Sul, Eduardo Ricotta, mostrou algumas contas que ilustram o impacto de um leilão arrecadatório para a tecnologia 5G. A conclusão da fornecedora é que, na média das últimas duas décadas, as licitações de espectro no Brasil têm para operadoras o impacto mais elevado do mundo.

Considerando desde a privatização do setor de telecomunicações no Brasil em 1998, o gasto de todas as operadoras com outorgas representou "mais ou menos" 5% de todas as receitas dessas empresas combinadas no período, de acordo com a Ericsson. "Se a gente olhar o lucro líquido, foi 3%. Ou seja: hoje o custo de espectro é mais caro que o lucro líquido", afirma Ricotta.

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Dentro desse prisma, a Ericsson levantou dados de 40 países, comparando o impacto do espectro sobre a receita (ou seja, o "custo" das outorgas) e a renda per capita. "O Brasil é o país mais caro do mundo, mais do que países da Ásia até a América Latina", diz. 

Outro cálculo é que, com aumento de 10% na conectividade, a arrecadação de impostos aumenta em R$ 26 bilhões em cinco anos. "Não sei se pode ser sem custo nenhum para colocar tudo em fibra, mas se tem um leilão mais barato, talvez o espectro tenha o custo mínimo e o ágio seja transformado em cobertura e infraestrutura", declara Ricotta. "É um tema que temos conversado com o Ministério da Economia e outros órgãos do governo."

Capex x Receita

CTIO da TIM, Leonardo Capdeville, adiciona que a relação de Capex e receita da operadora em 2019 foi de 22%, o que ele considera nível alto, comparando com a média da Europa de 18%; e dos Estados Unidos e Japão, abaixo de 15%. "Se adiciona isso ao espectro mais caro do mundo, como diz Ricotta, e ainda a maior tributação do mundo, prejudica-se a cadeia em todos os pontos: em investimento, no caixa e, depois, encarece o preço da prestação de serviços", diz. 

Segundo Capdeville, o Ministério da Economia já até fez os cálculos do impacto do 5G no Brasil: R$ 250 bilhões, dos quais apenas R$ 22 bilhões ficariam no setor de telecomunicações. "A gente deveria mudar de obrigações para incentivo no desenvolvimento de infraestrutura viabilizadora", coloca o executivo.

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