Limitação em postes tem sido motor para aquisição de provedores

A limitação para uso de postes entre operadoras de telecom tem servido como um dos motores para aquisições entre provedores regionais. A constatação é de relatório do BTG Pactual sobre o impasse para compartilhamento do ativo junto às distribuidoras de energia.

No documento, a instituição estimou o compartilhamento como um segmento que pode exigir até R$ 12,9 bilhões das teles em aluguéis. Com o crescimento da penetração e da concorrência na banda larga, o conceito de direito de passagem nos postes estaria se tornando um ativo cada vez mais valioso e também uma barreira de entrada em algumas regiões.

"Comprar outros fornecedores é uma das poucas maneiras de entrar no mercado", apontou o BTG Pactual. "Alguns provedores estão inclusive adquirindo outros para oferecer seus serviços na região, já que os postes atingiram o máximo da capacidade".

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Segundo o relatório, este ainda não seria o caso de São Paulo, mas sim o de estados também saturados como Paraná e Santa Catarina. Como exemplo, a análise da instituição financeira citou aquisição recente da catarinense TVC pela Unifique, da mesma unidade federativa.

"À primeira vista, a aquisição não parece fazer muito sentido, principalmente porque a Unifique pagou R$ 2,5 mil por assinante, o que é caro dado o número de clientes da TVC e a tecnologia desatualizada", declara o relatório. A empresa possuía 8 mil assinantes, sendo a maior parte em HFC, considerada "inferior" à fibra óptica.

"Mas a estratégia era justamente o direito de passagem em postes que a TVC tinha nessa região penetrada. Com o movimento, a Unifique abriu caminho para oferecer seus serviços em uma região com potencial mercado de 50 mil assinantes, o que seria muito mais difícil sem a aquisição, devido à falta de postes livres na região", completou o BTG. Em Florianópolis, uma estratégia semelhante teria sido adotada, visto a aquisição de direitos em postes antes do ingresso da companhia no mercado de varejo da cidade.

Alternativas

Como alternativa à briga pelos espaços remanescentes em postes, o BTG acredita no potencial das redes neutras; fundos geridos pelo próprio banco adquiriram o controle da V.tal, empresa de infraestrutura criada pela Oi para atuação no segmento. "A crescente escassez de espaço pode acelerar a migração para o modelo de compartilhamento de infraestrutura", afirma o relatório.

Em paralelo, a opção por redes subterrâneas é classificada como pouco factível dados os custos "proibitivos": segundo cálculo da Enel trazido pela análise, o quilômetro de dutos para instalação do gênero poderia custar R$ 5,5 milhões. Outro grande empecilho seria a necessidade de obtenção de licenças junto a prefeituras.

No momento, uma proposta para novo regulamento de postes entre os setores de energia e telecom está em discussão nos dois reguladores setoriais (Aneel e Anatel). Uma solução para o impasse não é esperada para 2022.

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