Especificações técnicas devem ficar para depois, diz ISDB

Ao que tudo indica, o governo brasileiro e os representantes do padrão japonês de TV digital que estão no Brasil devem chegar a um entendimento em relação aos termos técnicos que estarão no acordo final entre os dois países. Segundo Yasutoshi Miyoshi, presidente da Primotech 21 e representante do padrão no Brasil, que participa das negociações, estão acertados os aspectos técnicos e faltam apenas questões diplomáticas a serem ajustadas. Miyoshi não coloca nesses termos, mas ao que tudo indica prevaleceu a posição japonesa de não incluir no acordo os detalhes sobre as inovações técnicas que serão incorporadas. O entendimento foi o de que a especificação destas inovações é trabalhosa e precisará ser feita posteriormente. Estas especificações são necessárias, complexas e demandadas sobretudo pelos fornecedores nacionais, como a Gradiente, Telavo, Linear e Intelbrás, que participam das negociações.
A informação de Miyoshi contradiz a declaração de uma fonte no Governo, que diz que as inovações que serão analisadas, e provavelmente incluídas no padrão, já estariam listadas. Para esta fonte, o fato de as inovações já estarem listadas seria uma vitória do Governo brasileiro, uma vez que japoneses teriam interesse em incluir no padrão apenas algumas destas novas tecnologias, e por isso tentavam não incluir uma lista no acordo.
As inovações a serem incorporadas ao "padrão nipo-brasileiro" poderão ser tanto as brasileiras quanto as japonesas, já que o padrão ISDB-T, definido em 2000, desde então não sofreu alterações. Aliás, de acordo com Miyoshi, o Japão não mudou o seu padrão e provavelmente não o fará tão cedo, nem mesmo para incorporar os avanços que o Brasil poderá agregar. Segundo ele, existem 11 milhões de televisores digitais vendidos no Japão e a cobertura do país estará completa ao final do ano, o que inviabiliza, no médio prazo, qualquer mudança. Ou seja, pode-se concluir que o padrão nipo-brasileiro será, na verdade, um padrão a ser adotado apenas no Brasil, pelo menos por enquanto.

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Segundo Miyoshi, a especificação das inovações será feita por um grupo de trabalho, a ser criado em um mês, com técnicos do Brasil e do Japão. Esse grupo, diz, teria condições de desenvolver as especificações em seis meses se estivesse dedicado apenas a isso. Mas como os técnicos terão outras atividades no período, o prazo para especificação deve ser de mais ou menos 18 meses. Somando-se mais o tempo que a indústria precisa para se adaptar, o mais provável é que a implantação do padrão de TV digital no Brasil só aconteça em dois anos.
É esse o ponto que mais incomoda alguns representantes do governo brasileiro, que ainda acreditam ser possível implantar inovações em etapas, o que aceleraria o processo. Mas há quem duvide da viabilidade de trabalhar em etapas, "aos poucos". A solução para acelerar o processo seria adotar o padrão ISDB-T puro, o que seria uma derrota para a posição brasileira.
A reunião entre os representantes japoneses e o Governo brasileiro deve se estender até a madrugada, uma vez que os participantes do encontro pretendem entregar a proposta final à ministra Dilma Roussef ainda nesta quarta, 21.
Se os entendimentos forem concluídos, diz Miyoshi, o ministro das Comunicações do Japão virá ao Brasil na próxima semana para celebrar o acordo. De qualquer maneira, ainda há pontos pendentes e pode haver mudanças de rumo.

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