Intelsat aumenta prejuízo em mais de 50% em 2019

Enquanto tenta renegociar com a reguladora norte-americana Federal Communications Commission (FCC) a compensação para limpeza da banda C nos Estados Unidos, a Intelsat tem que lidar com suas próprias questões financeiras. No balanço financeiro do quarto trimestre e consolidado de 2019, a companhia ampliou em 3,6% o prejuízo líquido nos três meses, totalizando US$ 110,359 milhões. No ano, o prejuízo subiu 53% e ficou em US$ 911,2 milhões.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) também caiu tanto no trimestre (13%), com US$ 356 milhões, quanto no ano (38%), com US$ 1,012 bilhão. A margem EBTIDA foi reduzida em 6 pontos percentuais nos três meses e ficou em 69%, enquanto no ano a queda foi de 27 p.p., ficando em 49%. 

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Em comunicado, o CEO da Intelsat, Stephen Spengler, disse que a empresa teve crescimento de fluxos de receita com novos satélites. Além disso, acredita que um novo contrato de DTH fechado na Ásia e renovações de contratos com governos "vão apoiar a estabilidade em 2020".

As receitas também apresentaram queda. No trimestre, houve redução de 5%, totalizando US$ 516,9 milhões. Boa parte da queda se deve ao desempenho da área de mídia, que representa 41% da receita total (US$ 210,6 milhões) e caiu 9% no trimestre. No acumulado do ano, a queda também foi de 5%, totalizando US$ 2,061 bilhões. Novamente, a área de mídia mostrou a maior influência, com redução de 6% e total de US$ 54,7 milhões. 

A Intelsat espera que 2020 tenha receitas novamente em queda, variando de US$ 1,930 bilhão a US$ 1,980 bilhão. No mesmo período, deverá dedicar entre US$ 200 e US$ 250 milhões em Capex, seguindo o guidance do plano para o triênio (em 2021 será de US$ 225 a US$ 300 milhões; e em 2022, será de US$ 225 milhões a US$ 325 milhões). O plano de investimentos exclui satélites e/ou efeitos da proposta da FCC para a limpeza da banda C.

A dívida líquida de longo prazo da empresa também cresceu mais de US$ 430 milhões no ano, encerrando dezembro em US$ 14,465 bilhões. 

Banda C

Na quarta-feira, 19, a Intelsat recusou a proposta da FCC de acelerar a limpeza da banda C nos Estados Unidos, alegando que a fatia de 50% do total da compensação financeira de US$ 9,7 bilhões não corresponderia à proporção de antenas e transponders na faixa os quais opera. A atitude incomodou a SES, que disse estar "decepcionada" com a concorrente. O órgão regulador pretende liberar com pressa a porção para poder destinar a faixa de 3,5 GHz ao 5G das operadoras móveis em leilão previsto para dezembro.

Além disso, uma acionista da Intelsat, a Appaloosa, afirmou que o plano da FCC colocaria em risco a capacidade operacional da empresa. O fundo de investimentos sugere que, caso a Comissão não aprove a contra-proposta, a operadora deveria entrar em processo de falência e judicializar a questão da limpeza de espectro.

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