Oi volta a registrar geração de caixa negativa em setembro e em outubro

No contexto da Recuperação Judicial, a Oi voltou a apresentar geração de caixa negativa em setembro e em outubro. Conforme o relatório executivo assinado pelo administrador judicial, o Escritório de Advocacia Arnoldo Wald, e divulgado na noite desta segunda, 16, a empresa mantém o posicionamento de que os resultados estão dentro do esperado no plano estratégico apresentado na metade deste ano. 

A geração de caixa operacional líquida das recuperandas foi novamente negativa em setembro, resultando em R$ 30 milhões, mas uma melhora em relação ao resultado negativo de agosto de R$ 242 milhões. Por outro lado, o resultado negativo em outubro voltou a aumentar, ficando em R$ 456 milhões.

Os investimentos chegaram a R$ 592 milhões em setembro, uma queda de 9,8%, mas que a empresa afirma estar dentro do plano estratégico. No mês seguinte, subiram 49% e totalizaram R$ 881 milhões – novamente, a operadora justificou que a quantia está prevista no plano. 

Os recebimentos aumentaram 2,1% e encerraram o nono mês em R$ 2,033 bilhões. Em outubro, houve novo crescimento, de 4,2%, ficando em R$ 2,119 bilhões. A Oi declarou que houve aumento na receita motivado pelo maior número de dias úteis (dois a mais do que em setembro). 

Em pagamentos, a Oi totalizou R$ 1,471 bilhão, redução de R$ 106 milhões em setembro. Porém, em outubro a empresa voltou a efetuar mais pagamentos, ficando em R$ 1,694 bilhão. Houve crescimento em pagamento intercompany de interconexão, de comissão intercompany para a Paggo Lojas pelas vendas de serviços fixo e móvel e pelo aumento dos valores de aluguéis no mês anterior e que tiveram vencimentos alongados.

O saldo final do caixa financeiro das recuperandas teve queda de 0,7% em setembro e ficou em R$ 3,060 bilhões. No mês imediatamente posterior, voltou a cair (14,6%) e ficou em R$ 2,612 bilhões. A administração da Oi disse, mais uma vez, que a redução de caixa está relacionada "principalmente, com o plano estratégico da companhia de aceleração dos investimentos em fibra ótica (FTTH) e banda larga móvel 4G e 4,5G".

Balanço trimestral

O prejuízo consolidado das recuperandas foi de R$ 5,747 bilhões entre julho e setembro (contra prejuízo de R$ 990,6 milhões registrado no trimestre anterior), conforme a empresa já havia publicado no relatório financeiro no começo deste mês. A administração da Oi declarou que esse resultado foi influenciado por queda na receita operacional bruta (concentrada na queda da telefonia fixa); e especialmente pelo aumento de mais de R$ 3 bilhões nas despesas operacionais por conta do registro da Impairment na Mais Valia no grupo de Licenças Regulatórias da Oi, totalizando R$ 3,447 bilhões. As despesas financeiras também avançaram exponencialmente (mais de R$ 2,5 bilhões), totalizando R$ 3,683 bilhões no período.

Considerando o terceiro trimestre de 2019, o caixa contábil das recuperandas registrou redução de R$ 1,118 bilhão no trimestre (27%), ficando em R$ 3,031 bilhões. A companhia afirma que a "manutenção do Capex elevado" por conta do plano estratégico e o pagamento de juros do Bond Qualificado em agosto explica esse resultado.

Com influência da queda de tributos a recuperar de R$ 327 milhões no período e de ativos mantidos para venda, o ativo total circulante mostrou uma redução de R$ 4,207 bilhões. Em agosto, a empresa aprovou a alienação de imóveis no plano estratégico. Houve ainda redução de demais ativos (14,2%), relacionadas ao diferimento do Fistel e reclassificação do ativo de curto para longo prazo; e aumento de mais de R$ 1 bilhão no segmento "outros tributos" motivado por constituição de crédito de PIS e Cofins sobre ICMS, totalizando R$ 3,062 bilhões.

Os empréstimos e financiamentos de longo prazo tiveram alta de R$ 1,211 bilhão no período, totalizando R$ 17,767 bilhões. Entre as justificativas está o aumento de R$ 202 milhões (relativa à reclassificação de curto para longo prazo) do passivo com fornecedores, que totaliza R$ 3,403 bilhões.

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