Telefônica não comenta decisão do Cade; justificativa passará pela crise na Itália

A Telefônica ainda não tem uma posição oficial sobre a decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) da semana passada em relação à compra da Vivo, com repercussões importantes sobre a estratégia do grupo espanhol de ampliar sua participação indireta na operadora Telecom Italia, controladora da TIM Brasil. O Cade determinou que a Telefônica ou se desfaça da participação que tem no grupo italiano ou arrume um outro sócio controlador na Vivo, pois considera que a posição atual oferece grandes riscos concorrenciais. Antonio Valente, presidente da Telefônica do Brasil, disse durante o almoço de final de ano com jornalistas que a companhia só tomou ciência formal dos termos da decisão do Cade na quarta, dia 11, e que ainda está analisando os termos. A empresa não diz nem mesmo se vai ou não recorrer. "Temos que entender a decisão e os argumentos", disse ele, sem dar nenhuma pista sobre o caminho que será seguido. Valente não fala, mas tampouco esconde que a decisão foi um fato novo para a companhia, e desconfortável. E nas entrelinhas de suas declarações, a única coisa que se extrai é que a Telefônica não necessariamente vê como ruim uma eventual concentração do mercado no futuro.

"Há casos de mercados com muitos concorrentes mas em que a competição é fraca e há casos em que há menos concorrentes, mas que competem mais entre si", disse ele, analisando sua experiência no Peru, onde foi CEO logo que a Telefónica adquiriu a participação da Bell South, em 2005, assumindo quase dois terços do mercado. Segundo ele, naquela ocasião a TIM era um competidor fraco, mas logo foi comprada pela Claro e se tornou um competidor agressivo, tomando participação da Telefónica.

Ainda que não falem abertamente sobre o assunto, executivos da Telefônica dão algumas dicas de como deverá ser argumentação junto ao Cade, e o principal argumento será no sentido de que a ampliação no capital da Telco, na Itália, não visa assumir o controle indireto da TIM, mas sim evitar que a Telecom Italia chegue a uma situação de inviabilidade econômica, impasse de governança com seus controladores e sem condições de sobreviver. Hoje a Telecom Italia é uma empresa altamente endividada em relação à sua geração de caixa. Segundo um observador ligado à Telefónica ouvido por este noticiário, "se a situação estourasse na Itália, certamente haveria impactos sobre a TIM no Brasil".

Segundo Valente, a Telefônica está confiante de que todas as imposições colocadas pelo Cade e pela Anatel na análise da compra da participação na Telco foram rigorosamente cumpridas. Ele também diz que a operação de compra da Portugal Telecom na Vivo é uma transação consumada. Valente não informa o prazo dado pelo Cade para resolver o impasse, nem se ele se encaixa nos prazos previstos para que a Telefônica amplie sua participação na Telecom Italia.

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