Pré-embarque de apps nacionais: desenvolvedores estão divididos

Os desenvolvedores móveis brasileiros estão divididos entre o otimismo e o ceticismo diante da portaria do Ministério das Comunicações (Minicom) publicada nesta quinta-feira, 11, que lista o pré-embarque de aplicativos nacionais entre as características exigidas para que smartphones sejam contemplados com a desoneração tributária oferecida pelo governo federal. Embora todas as fontes ouvidas por MOBILE TIME reconheçam a boa intenção por trás da medida, são levantadas dúvidas sobre a sua eficácia, em razão da falta de detalhes do texto, que fala apenas na oferta de um "pacote mínimo" de apps desenvolvidos no Brasil, sem explicitar quantidade ou tipos de aplicativos.

"É uma boa notícia. Vai ajudar na distribuição dos aplicativos e favorece o mercado nacional. Mas faltam os detalhes… Espero que seja algo horizontal, que contemple todas as categorias de apps, para que não haja o favorecimento de alguns setores sobre outros", pondera André Paraense, um dos criadores do Wabbers, um aplicativo brasileiro de trânsito para Android e iOS.

Se não houver especificações, é possível que alguns fabricantes optem por embarcar apps simples, desenvolvidos internamente, e que não fomentam em nada a indústria nacional, como uma simples calculadora ou um app de horóscopo. "Isso pode, sim, acontecer. Mas diante de dois smartphones com o mesmo preço e apps embarcados diferentes, o consumidor vai escolher aquele com melhor conteúdo. Será um diferencial dos fabricantes", aposta Rafael Siqueira, CTO do Apontador.

Outra preocupação é de que os fabricantes embarquem sempre o mesmo pacote de apps, sem diversificá-lo ao longo do tempo. Roberto Dariva, presidente da Navita, sugere que o governo exija que a lista de apps seja renovada a cada novo modelo de smartphone lançado. "Isso geraria um ciclo virtuoso de desenvolvimento", avalia.

Start-ups

Entre os desenvolvedores de pequeno porte, o receio é de serem preteridos por apps de grandes marcas. "Acredito que os fabricantes vão procurar conteúdos de conhecimento geral, de grandes meios de comunicação, por exemplo. Na prática essa medida vai ajudar os apps de massa, não aqueles de pequenos desenvolvedores", analisa Pedro Henrique Marques, um dos criadores do Pictastik, uma rede social de fotos para iOS.

Siqueira, do Apontador, concorda com essa avaliação. Ele entende que seria natural os fabricantes darem prioridade para aqueles apps nacionais com os quais já têm parcerias para destaque em suas lojas de aplicativos (vários fabricantes possuem lojas próprias de apps, como a Samsung e a Nokia). Apps como Apontador, Buscapé, MercadoLivre e aqueles de revistas semanais, canais de TV e jornais diários seriam os mais prováveis beneficiados se não houver especificações a favor de pequenos desenvolvedores.

Na Samsung, o executivo responsável por parcerias em conteúdo móvel na América Latina, Robson Lisboa, afirma estar aberto para analisar aplicativos de quaisquer empresas, independentemente do seu porte.

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