Santanna critica "litigância organizada" das teles contra Telebrás

O presidente da Telebrás, Rogério Santanna, chamou de "litigância organizada" as ações judiciais movidas pelo SindiTelebrasil contra a Telebrás, cujo propósito, no seu entender, é atrasar o desenvolvimento da banda larga no País. "É como se o Estado decidisse construir uma nova rodovia e as concessionárias daquelas com pedágio se juntassem contra o projeto", comparou. "Em vez de investirem no departamento de engenharia, investem no departamento jurídico", acrescentou, em tom de crítica. O presidente da Telebrás, porém, reconheceu que as ações judiciais até agora não tiveram nenhum efeito prático contra o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). O executivo disparou também contra a disposição das operadoras em interferir na elaboração de políticas públicas de telecomunicações: "é como se a na assembleia das galinhas chamassem as raposas para discutir".
Valente responde
As críticas de Santanna foram feitas durante o seminário "Diálogos Capitais", nesta terça-feira, 7, no Rio de Janeiro, do qual participou também o presidente da Telefônica e da Telebrasil, Antonio Carlos Valente. O executivo explicou que as ações judiciais não têm como objetivo "parar a Telebrás", mas apenas questionar alguns procedimentos, de forma que ela opere seguindo as mesmas regras cumpridas por seus concorrentes.

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Valente argumentou que em algumas cidades do Brasil não há condições econômicas que atraiam a iniciativa privada a oferecer banda larga, diante da atual carga tributária e de outros custos. Ele propôs a adoção de subsídio direto do governo para a universalização da banda larga, tal como feito no setor elétrico através do projeto "Luz para todos". A ideia é apoiada pela Oi.
Banda larga cara
No mesmo evento, o presidente da Telefônica ouviu críticas quanto ao preço da banda larga popular oferecida pela empresa em São Paulo graças ao desconto do ICMS acordado com o governo daquele estado. O professor da Universidade Federal do ABC, Sergio Amadeu, considera alto o preço de R$ 29,80 por uma velocidade de apenas 512 kbps e citou exemplos de operadoras estrangeiras que cobram preços similares por velocidades bem mais altas.
Telcomp
Enquanto a Telebrás procura reduzir o preço no atacado para acesso a um backbone com saída para Internet de forma a viabilizar a competição por parte de pequenos provedores em cidades sem oferta de banda larga, há quem reclame que os preços da estatal seriam baixos demais. "É louvável baixar os preços, mas não de forma insustentável", criticou João Moura, presidente da Telecomp, também presente no seminário.

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