TV por assinatura prefere combater serviços OTT a aceitar complementariedade

A consultora sênior da Farncombe, Adriana Whiteley, disse em painel no Congresso ABTA 2013 nesta quarta, 7, que o serviço over-the-top (OTT) Netflix não tem se mostrado como um competidor direto, mas sim como um complemento  à TV por assinatura. Segundo ela, mesmo nos Estados Unidos, um mercado já consolidado para a TV paga, as pessoas ainda preferem assistir ao conteúdo linear. A TV por assinatura brasileira não vê exatamente desta forma. Segundo o diretor de estratégia e gestão operacional da Net Serviços, Rodrigo Marques, a operadora vê este tipo de serviço como uma possível ameaça, sim. Por isso, explica, a Net vem investindo em serviços como o VOD e o TV everywhere, em parceria com as programadoras, para continuar gerando valor para o assinante de TV.

Gustavo Ramos, diretor de novas mídias da Globosat, diz que "a lógica da complementação mostrada está correta, mas a TV por assinatura não precisa querer ser complementada. Nós já temos todos estes conteúdos oferecidos pelos OTTs".

Ramos diz ainda que a programadora vem trabalhando para agregar valor ao pacote e esta segue sendo sua estratégia nos serviços de TV everywhere e VOD. Estas iniciativas, afirma, não dão lucro, pelo menos ainda. "Mas essa ainda não é preocupação. A métrica neste momento não é a de receita. Olhamos mais o número de usuários", diz. "A defesa da cadeia de valor, com pacotes complementares, é uma forma relativamente barata, para um negócio de R$ 28 bilhões com 17 milhões de assinantes", complementa.

Os serviços de TV everywhere da Globosat já contam com quase um milhão de cadastrados, contra 80 mil há um ano.

A Telefônica/Vivo acredita, sim, na complementariedade da plataforma e, por isso, investe para atuar em todas. Segundo Roberto Piazza, diretor executivo da Telefônica Digital, foi lançada uma plataforma global de VOD para as operações da companhia espanhola, a global video platform. "É preciso levar em consideração o contexto de cada assinante e no qual ele acessa o conteúdo", diz. Segundo o executivo, as plataforma de IPTV, DTH e o OTT Vivo Play atendem diversos contextos. Com relação a uma possível assimetria regulatória dos OTTs, Piazza lembra, contudo, que muita regulamentação pode acabar impedindo a flexibilidade e a velocidade de inovação que são tão caros a essa indústria.

"Claro que é um debate que deve ser feito e muita coisa pode ser regulada, mas é preciso chegar em um bom senso do nível adequado de regulamentação. Tema tributário não é o mesmo que a regulação dos serviços OTTs, que na minha opinião, na verdade, é uma discussão mais ampla de Internet e tem de ser tratada no Marco Civil da Internet. São dois mundos distintos e o que preocupa é regular tanto que crie uma estrutura de custos muito elevada e freie e flexibilidade e a inovação", analisa.

Segundo Marcel Fenez, global entertainment e media leader da PwC, há, sim, uma disputa entre a TV por assinatura e o OTT. Segundo ele, os consumidores que desejam cancelar os serviços de TV paga nos Estados Unidos vêm crescendo a uma taxa de um ponto percentual ao ano. Em 2011, 15% dos assinantes queriam cancelar o serviço. O número subiu para 17% em 2013. "Ainda há crescimento na TV paga ao redor do mundo, mas a taxas muito menores", diz, complementando que os serviços OTT, com base ainda insignificantes em comparação com a TV por assinatura, crescem rapidamente. "Algumas empresas ficam animadas com este crescimento e começam a desafiar as incumbents", complementou.

Fidelização

Segundo Rodrigo Marques, da Net, o Now, serviço de VOD da operadora, já mostra resultados na redução do churn. "Todas as pesquisas e contatos com o cliente apontam que o cliente gosta do serviço. Os que começam a usar tendem a usar cada vez mais. Entre estes assinantes, os indicadores de desconexão caem radicalmente", diz. Mas o investimento, lembra, é muito elevado.

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