Oi aumenta prejuízo e diminui receita, mas alega estar se recuperando

A Oi mostrou aumento em prejuízo líquido e queda em receitas em seu balanço financeiro do primeiro trimestre do ano e divulgado nesta quinta-feira, 7. Ainda assim, a companhia afirma estar dando continuidade ao processo de recuperação, alegando ter entregado resultados "significativamente melhores" no período.

A empresa registrou prejuízo líquido de R$ 414 milhões nas operações continuadas, aumento de quase cinco vezes em relação ao último trimestre de 2014. Houve queda também no comparativo anual, já que a Oi obteve lucro líquido de R$ 228 milhões no mesmo período do ano passado. Considerando a descontinuação das operações da PT Portugal, que registrou perda de R$ 4,164 bilhões (por reconhecimento destes ativos pelo preço de venda), a Oi registrou prejuízo líquido consolidado de R$ 447 milhões, contra um prejuízo de R$ 4,421 bilhões em dezembro e lucro líquido de R$ 228 milhões no 1T14. Isso inclui também impactos contábeis de R$ 32 milhões referentes a resultados da venda da PT Portugal à Altice.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBTIDA) caiu 34,6% no comparativo anual, totalizando R$ 2,011 bilhões. A margem EBTIDA diminuiu 14,7 pontos percentuais (p.p.), ficando em 28,6% em março. Considerando o EBTIDA de rotina, houve aumento de 10,1% (com o mesmo total de R$ 2,011 bilhões), sendo que o negócio no Brasil sozinho obteve R$ 1,928 bilhão, aumento de 12,8% ao ano.

Impacto da VU-M

A receita líquida caiu 0,9% no comparativo anual, totalizando R$ 7,040 bilhões. Comparando com o desempenho do quarto trimestre, no entanto, a Oi afirma que houve redução nessa queda, que foi de 2% no comparativo anual no quarto trimestre do ano passado. Mas houve recuo de 3,9% se comparado com esse mesmo último trimestre de 2014.

A queda na receita aconteceu por uma combinação de fatores. O segmento de mobilidade pessoal, que aumentou 4,3% ao ano, caiu 7,2% em relação ao trimestre imediatamente anterior, totalizando R$ 2,259 bilhões. Houve aumento de 8,8% nas receitas de clientes (inclui assinaturas, chamadas originadas, LD, roaming e SVA), totalizando R$ 1,799 bilhão; mas uma redução de 34,8% nas receitas com uso de rede, que fecharam o período em R$ 260 milhões. A venda de aparelhos aumentou 75,3%, totalizando R$ 199 milhões.

Ressalta-se o aumento de 61,9% na receita de Internet móvel (que exclui SMS e SVA) no pré-pago, que ainda experimentou aumento no tráfego de 52,8%. A receita de SVA mais que dobrou (104,3%) por conta das ofertas Apps Clube, Segurança, Conselheiros e Para Aprender. A receita de Internet móvel no pós-pago aumentou 21,9%. A companhia não detalhou os valores.

Por outro lado, o segmento residencial, que caiu 2,4% entre trimestres seguidos, aumentou 0,7% no comparativo anual, totalizando R$ 2,491 bilhões. Já a área corporativa e de PMEs caiu 3,4% ao ano e 3,1% em relação ao 4T14, somando R$ 2,021 bilhões de janeiro a março de 2015.

Segundo a Oi, o corte nas tarifas de interconexão (que foi de 33,3% em fevereiro de 2015) causaram um impacto negativo de 25% em 2014, mas que foi compensado por crescimento de banda larga e TV paga no segmento residencial; e do aumento do volume de recargas, uso de dados e venda de aparelhos na área de mobilidade pessoal. Excluindo a redução das tarifas regulatórias, a receita líquida subiria 1,8% no comparativo anual. Vale ressaltar que as despesas com interconexão foram reduzidas em 33,4%, representando R$ 504 milhões.

Dívida

Por sua vez, a dívida líquida aumentou 7,5% no ano, e agora totaliza R$ 32,557 bilhões. O caixa disponível caiu pela metade, e agora é de R$ 2,079 bilhões. A companhia diz que continua trabalhando para gerar fluxo de caixa livre positivo em médio prazo. "Os resultados apresentados hoje foram o primeiro passo em direção a esta ambição", diz a Oi em seu comunicado. O Capex foi reduzido em 19,5%, ficando em R$ 1,025 bilhão – a empresa afirma que isso foi resultado no "foco na maior eficiência em investimentos". A maior parte do Capex (84,3%) foi gasto com melhoria e expansão de rede de backbone, enquanto a diminuição se deu pela "otimização da infraestrutura existente, de avaliações mais criteriosas de investimentos, reformulações nos modelos de contratos de fornecedores e do compartilhamento de infraestrutura".

A companhia reiterou o guidance para 2015, com EBTIDA de rotina entre R$ 7 bilhões e R$ 7,4 bilhões, com melhoria no fluxo de caixa operacional entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,8 bilhão. Importante lembrar que a venda da PT Portugal à Altice tinha como justificativa dois possíveis cenários: permitir que a Oi fosse protagonista em um eventual processo de consolidação no Brasil ou diminuir sua dívida.

Operacional

A Oi diminuiu 1,4% sua base de unidades geradoras de receita (UGRs) no Brasil, que agora é de 73,577 milhões. O segmento residencial caiu 2,9% e agora mostra 17,148 milhões de UGRs. O corporativo caiu mais: 3,7%, totalizando 7,836 milhões de unidades. Os telefones públicos recuaram 0,7% e agora são 653 mil.

Houve redução de 7,4% nas UGRs de linhas fixas, que agora somam 10,703 milhões. A banda larga fixa caiu 1,2%, total de 5,213 milhões. Já a TV paga aumentou 48,8%, totalizando 1,232 milhão de UGRs. Por conta desse crescimento, que possibilita as ofertas multiple-play, a Oi aumentou a receita média por usuário (ARPU) em 5,4%, fechando o primeiro trimestre em R$ 77,6. Prova disso é que a operadora aumentou a penetração dessas ofertas convergentes – em março, 62% dos domicílios possuíam mais de um produto da empresa, aumento de 3 p.p. em relação ao mesmo período de 2014.

Segundo a companhia, a penetração da banda larga fixa atingiu 48,7% das residências de clientes (3 p.p. acima), e a velocidade média aumentou 18,6%, chegando a 4,6 Mbps. Atualmente, 71,2% das adições brutas do serviço possuem velocidade a partir de 10 Mbps. Praticamente metade da base de banda larga fixa da Oi já é composta por clientes com velocidades a partir de 10 Mbps e cerca de 13% dos clientes têm mais de 20 Mbps. A penetração da Oi TV chegou a 11,5%, aumento de 4,3 p.p. em relação ao 1T14. O ARPU da TV paga aumentou 6,5%, e a taxa de churn foi 3,5 p.p. menor em residências com triple play.

O segmento de mobilidade pessoal ficou em 47,940 milhões de UGRs (recuo de 0,4%). Desse total, 40,824 milhões eram de acessos pré-pago (queda de 1,4%) e 7,116 milhões eram de pós-pago (aumento de 5,8%).  A Oi justifica que uma política mais rígida na limpeza da base pré-paga explica as desconexões ocorridas no período.

O ARPU móvel foi de R$ 17,7, queda de 4,1%, também impactado pelo corte na VU-M, mas compensado pelo aumento na receita de dados e no volume de recargas. Excluindo a receita de interconexão, subiria 11,3%. A companhia alega ter diminuído taxas de churn, mas não apresentou o dado.

A Oi cobre atualmente 3.387 municípios (93% da população urbana) com 2G, e 1.036 municípios (78% de penetração) com 3G. A cobertura LTE abrange 45 cidades, ou 36% da população.

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