Acesso a PTT é estratégico para provedores disputarem mercado de vídeo

A estratégia para os provedores de Internet (ISPs) regionais para o mercado de vídeo, sobretudo aqueles com  infraestrutura de fibra, esbarra em um gargalo: a de poder chegar aos pontos de troca de tráfego (PTTs) mais relevantes, como o de São Paulo, administrado pelo NIC.br. É lá onde estão as redes de entrega de conteúdo (CDN) de empresas como Google, Netflix e Akamai. "Hoje o sonho é que gostaria de estar interligado com o PTT de São Paulo e, na minha empresa em Natal, hoje tenho 40% do meu tráfego trocando no PTT Natal", declarou o presidente da Abrint, Erich Matos Rodrigues, que também diretor da operadora potiguar Interjato. "É realidade do nosso mundo IP e acho que vai mexer no mercado porque quanto mais perto o conteúdo fica dessas redes, ficamos mais competitivos", disse, durante painel na ABTA 2015 nesta quinta, 6.

Rodrigues afirma que esteve esta semana com o NIC.br para perguntar como seria possível ajudar na ampliação da quantidade de PTTs – atualmente são 25 no País, mas a entidade espera chegar a 40 até o final do ano. São necessárias parcerias, com empresas cedendo espaço em locais onde seja estratégico construir o ponto. Ele acredita que, uma vez com o PTT construído, as CDNs também serão instaladas, já que é do interesse dos provedores de conteúdo estarem próximos do usuário.

Mas o executivo da Abrint e da Interjato diz que poderia haver maior colaboração para essa infraestrutura de troca de tráfego, sugerindo participação de operadoras ou da Telebras para realizar a interligação de PTTs. "Isso seria uma revolução no mercado IP e consequentemente na qualidade de acesso para todos", declara, lamentando não haver uma política de governo direcionada para esse fim.

Satélite

Naturalmente, há uma concentração de tráfego sendo direcionado a São Paulo, onde o PTT do NIC.br é, de longe, o mais acessado. E há dificuldade para se chegar lá, especialmente de provedores em locais distantes da capital paulista. Há a opção de compartilhamento de sinal de satélite, o "headend in the sky", para distribuir para várias operadoras em pontos remotos e não conectados entre si. "Hoje temos um projeto, não via banda Ku, mas banda C, porque sabemos que a banda Ku não aguenta oscilações de clima em país tropical, e a banda C é mais robusta", declara o presidente da ISP do interior paulista Life, Luis Eduardo Martins.

O consultor e ex-CEO da iON TV e da associação de operadores regionais Unotel, Alexandre Britto, acredita que o modelo é viável, apesar de ser um projeto antigo – fora anunciado há 20 anos pela norte-americana TCI, embora na época não tenha sido bem sucedido. "Pode ser via banda C ou banda Ku, que tem mecanismos de proteção e segurança muito fortes, mas talvez hoje possa atender ao modelo de PTT", declara. Para Britto, o modelo com DTH deve seguir alguns cuidados. Um deles é um pacote mais simples, eventualmente até sem os canais mais caros. Também a tecnologia deve ser mais barata, com caixas simples. "É uma solução para quem ainda não tem como entrar com vídeo em cima da fibra", disse ele, fazendo o balanço das lições aprendidas com a iON TV

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