TIM prevê que dados serão a principal fonte de receita em 2016

Apesar das quedas nas receitas apresentada no ano passado, o presidente da TIM, Rodrigo Abreu, acredita que neste ano haverá enfim o ponto de inflexão quando a receita de dados ultrapassar a de voz. Em 2015, os dados foi de R$ 7,741 bilhões (ou R$ 6,579 bilhões excluindo SMS), enquanto a de voz (assinatura e utilização) foi de R$ 9,763 bilhões no consolidado. Abreu espera poder manter o crescimento em dois dígitos pelo aumento da penetração de dados na base total. "Esperamos que em 2016 os dados sejam a nossa principal receita, ainda esperamos crescimento significativo", declarou ele em teleconferência nesta sexta, 5.

A expectativa se baseia no aumento na penetração de dados na base no semestre (de junho a dezembro): no pós-pago, aumentou de 73% para 78%; no controle, de 70% para 76%; e no pré-pago, de 36% a 45%. E, além da melhoria para dados, a operadora pretende aumentar a participação do pós-pago no mix da base. A companhia destacou um aumento no índice de adições brutas por meio da portabilidade numérica do pós: de 9% em janeiro para 20% em dezembro, o que representa para Abreu um "aumento da qualidade de aquisição".

Boa parte dessas adições é atribuída aos novos planos, que eliminaram a diferença de tarifa nas chamadas off-net, além de oferecerem maior foco na franquia de dados. De acordo com o executivo, o novo portfólio ainda terá efeitos sentidos ao longo do ano, mas já é capaz de ver melhora na receita média por usuário (ARPU) em todas as ofertas recentes, especialmente no pré-pago. "No pós-pago, as novas ofertas também tiveram maior ARPU em média, mas o crescimento é menor já que a razão maior nas mudanças de portfólio não era para ter maior ARPU, mas para ser mais atrativo para a base pós", justifica. Em geral, a esperança é de aumento, mas há reticência. "Vai depender do comportamento da economia e do consumo."

A expectativa de crescimento na receita desconsidera a queda da taxa de interconexão, que terá novo corte periódico no começo do ano e reflexo no primeiro trimestre. "Mas será um impacto menor comparado aos anos anteriores", declara. No final do ano, o impacto era de 8% na receita. É fruto da nova abordagem com as ligações off-net equiparadas às on-net: se por um lado há mais despesa com a interconexão nas chamadas realizadas na rede, há também mais chamadas recebidas.

Não houve grandes surpresas, segundo o executivo, com a reação do mercado em relação aos novos planos. Rodrigo Abreu garante que a TIM não está entrando em uma guerra de preços, "já que o ambiente não permite que o mercado seja hipercompetitivo, o que fica negativo para todo o setor". Segundo o presidente da empresa, há uma diferença nas tarifas porque a operadora não proporciona subsídio nos aparelhos. Essa mudança estratégica existe porque a empresa identificou mudança no consumidor, que agora só adquire smartphones. "Não é mais necessário fazer o mesmo tipo de push comercial que foi feito em meados de 2012 ou 2013", declara. Todo os novos dispositivos vendidos pela tele são smartphones 4G, ainda de acordo com o executivo.

Economia

Além da busca por uma base mais premium, a TIM procurará combater a queda na receita com mais economia nos custos. A grande quantidade de desconexões na base da empresa, quase 9,5 milhões no final de 2015, também poderá trazer benefícios, uma vez que a operadora deverá deixar de pagar a Taxa de Fiscalização de Funcionamento (TFF), um impacto recorrente na empresa, mas que pode ser maior devido ao enxugamento mais significativo na base. A empresa não abre o número exato, mas considerando a quantidade de acessos desligados e o valor da TFF, é possível calcular um impacto de cerca de R$ 123,3 milhões no ano.

Outra forma de economizar é na gestão de áreas: mesmo com a expansão de redes promovendo mais custos, com novas antenas, sites, equipamentos e energia, há há possibilidades com aumento de eficiência. "É possível ainda buscar aumento de eficiência em nossas áreas, em linha com o plano de eficiência (de economizar R$ 1 bilhão até dezembro de 2017, sendo 35% dessa meta já cumprida)", diz Abreu. Há ainda uso mais eficiente de rede, diminuindo gastos com aluguel a partir de determinações regulatórias de custos dos Valores de Referência de Exploração Industrial de Linha Dedicada (EILD). "No passado, tivemos redução de custos do EILD a partir de determinação da Anatel e foi um impacto importante. Há novo percurso de queda ao longo de 2016", declara. Há também mudança da infraestrutura: em vez de alugar capacidade de satélite para backhaul (geralmente para um primeiro momento de instalação de antenas), com um custo maior, a TIM pretende passar a usar mais a infraestrutura terrestre.

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