ZTE quer competir no mercado móvel com 5G, core e redes privativas

Foto: Karlis Dambrans

A fornecedora chinesa ZTE quer competir pelo mercado de redes de acesso em rádio (RAN) e core 5G, mesmo avaliando um cenário competitivo mais concentrado entre vendors do segmento. Neste sentido, a demanda por redes privativas é vista como possível porta de entrada.

Em entrevista exclusiva ao TELETIME durante evento realizado em São Paulo nesta segunda-feira, 3, o COO da ZTE no Brasil, Eliandro Ávila, classificou a empreitada como um desafio: primeiro pela chinesa ser desafiante do mercado móvel, sem rede 4G legada, o que torna a entrada no mercado 5G mais complexa. Depois, porque as próprias teles brasileiras estariam reduzindo de três para dois o número de vendors com quem trabalham nas redes de acesso.

"Existe essa concentração, mas isso não será impeditivo", afirmou o executivo, mirando um segundo momento de implementações do 5G e destacando avanços na tecnologia da companhia (como recursos de eficiência energética e inteligência artificial). No momento, provas de conceito RAN já estariam em curso dentro de duas grandes operadoras móveis (TIM e Claro).

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A relação também seria próxima com operadoras entrantes no mercado móvel após o leilão 5G – e que, na maioria das vezes, ainda não escolheram fornecedores de RAN. Ao lado dos ISPs, a ZTE relata três contratos para fornecimento de soluções de core (núcleo) de redes 5G. A Unifique já revelou ser uma das clientes da chinesa.

Já no curto prazo, a demanda por small cells e por ativações mais potentes a partir das ondas milimétricas são consideradas portas de entrada ideais. "A gente acredita que nosso começo no 5G brasileiro vai passar por aí, fomentando bastante os usos em redes privativas", afirmou Ávila.

O executivo projeta primeiro o uso indoor dos recursos – evoluindo para ativações outdoor em locais como estádio em um segundo momento. Já ao lado da Claro, a fornecedora está estruturando um laboratório para desenvolvimento de soluções de redes privativas para a cadeia B2B.

Uma outra frente de negócios ligado ao mercado móvel passa pela eficiência energética – mas com o diferencial da empresa já ter atuação consolidada: o fornecimento de baterias de lítio. No ano passado, a ZTE embarcou de 8 a 10 mil unidades do produto apenas para operadoras de telecom brasileiras. Neste ano, a empresa espera vender entre 15 a 20 mil baterias do gênero.

Supply chain

Ao TELETIME, o COO da ZTE ainda destacou a ausência de pressões sobre o supply chain da empresa como vantagem competitiva da companhia sobre rivais. "Alguns fornecedores enfrentam esses problemas, mas nós não passamos por essa crise ou por problemas com embargo norte-americano".

Mesmo que a chinesa tenha sido impedida de atuar no território dos Estados Unidos, as medidas não afetaram a relação (nem a interoperabilidade tecnológica) da ZTE com a tecnologia daquele país, afirmou Ávila. Nesse sentido, o COO destacou o uso de chipsets de 5 nanômetros no portfólio de ponta da companhia, inclusive de fornecedores como Qualcomm e Broadcom.

Fixo

No mercado fixo, a ZTE é uma tradicional fornecedora no Brasil. De acordo com Ávila, entre operadoras grandes e provedores regionais, a chinesa seria certamente a líder no fornecimento de terminais ópticos, passando tanto por elementos de rede como por aparelhos na casa do cliente. A oferta passou recentemente a integrar WiFi 6 – já adotado por provedores regionais, por uma grande operadora e em vias de ser absorvido por outra a partir de maio. Outro produto em alta no portfólio da ZTE são extensores de sinal com a tecnologia mesh, para ampliação da qualidade do WiFi.

A chinesa também reporta participação relevante no mercado de transporte. Um contrato relevante em curso envolve a Claro, que tem a empresa como fornecedora para a região Sul em um importante projeto de transformação de redes. No evento promovido pela ZTE nesta segunda-feira, a marca de mais de 1 mil roteadores IP RAN instalados na empreitada foi comemorada. A asiática também possui contratos com TIM, V.tal e ISPs no negócio de transmissão, além de ter conquistado projeto recente com a Vivo.

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