Com capital pulverizado, Oi se diz mais receptiva à consolidação

Na manhã desta terça-feira, 1º, a Oi realizou assembleia para aprovar o laudo de avaliação da reorganização societária da empresa, que estabeleceu o patrimônio líquido contábil da companhia em R$ 485.253.783,09; a incorporação da Bratel, Valverde e da Telemar Participações; e a adoção do capital pulverizado, seguindo as regras o mais próximo possível do recomendado pelo Novo Mercado. Em Brasília, durante conversa com jornalistas no 59º Painel Telebrasil, o presidente Bayard Gontijo afirmou que o processo permitirá à companhia ser mais ágil e flexível, deixando-a mais aberta para uma eventual fusão.

Perguntado se isso proporciona à operadora uma volta à atitude de ataque em processo de consolidação, o presidente da empresa não confirmou se haveria maior movimentação, mas sinalizou para o caminho de uma fusão. "É visão estratégica que temos, acontecerá cedo ou tarde. Mas o capital pulverizado sem controlador torna a empresa mais receptiva a esse movimento", disse Gontijo.

Ele não comenta o desempenho da empresa na bolsa de Nova York, onde as american depositary receipt (ADRs) da empresa operam cotadas abaixo do patamar de US$ 1 desde 14 de agosto. Mas acredita que o novo padrão de governança trará mais otimismo. "Obviamente vai trazer atratividade para a companhia."

O executivo alegou também que o maior entrave para a consolidação não é a dívida líquida de R$ 34,644 bilhões. "Muita gente fala que a Oi é muito endividada e ninguém quer se misturar com ela. Não acho que seja isso, acho que é o ambiente regulatório. O investidor quer estabilidade, respeito às regras e previsibilidade", argumenta.

Concessões

Assim, Bayard Gontijo voltou a defender a revisão nos contratos de concessão de telefonia fixa, mas agora com um senso de urgência maior. "Esse tema tem que ser revisto imediatamente, é urgente, pois beneficia não só a companhia, como tem que ser como empresa privada que busca lucro, mas também o governo", declarou ele a este noticiário, chamando as regras de "obsoletas" e cuja aplicação de capital são em "coisas que não são do interesse da sociedade e do setor" – ou seja, a telefonia fixa.

Gontijo acredita que, além de terminar os contratos de concessão (tornando as empresas autorizatárias), o debate que tem ocorrido no governo precisa de mais profundidade. Ele insiste na revisão das obrigações dos telefones públicos (TUPs), afirmando que "não fazem mais sentido". Segundo o executivo, os custos para manter esses orelhões são de R$ 300 milhões a R$ 400 milhões anuais, enquanto a receita é de R$ 17 milhões. "Os custos equivalem a colocar 800 mil portas de ADSL ou banda larga por ano que deixamos de fazer", compara. A Oi levou proposta da revisão dos contratos, com o fim da concessão e a revisão das obrigações com TUPs, para o Minicom e a Anatel.

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